A Polícia Federal concluiu que o governador Ibaneis Rocha atuou diretamente na gestão do BRB e nas tratativas para aquisição do Banco Master. O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e expõe movimentações que fogem da governança padrão de uma instituição financeira pública.
O documento detalha como decisões estratégicas teriam passado pelo crivo do Palácio do Buriti, ignorando ritos internos do banco. A pergunta que fica: até onde vai a responsabilidade de cada ator envolvido?
O que o relatório da PF revela
Segundo a investigação, há indícios de que o governador interferiu em três frentes simultâneas: na escolha de dirigentes do BRB, na definição dos termos da negociação com o Master e na condução do processo de due diligence. A aponta para reuniões fora da agenda oficial e troca de mensagens que sugerem alinhamento prévio entre as partes.
O inquérito tramita sob sigilo no STF, mas trechos vazados indicam que a PF identificou “desvio de finalidade” na atuação do chefe do Executivo distrital. Não se trata apenas de influência política — a suspeita recai sobre uso da máquina pública para favorecer interesses privados.
Impacto direto no BRB e no mercado
O Banco de Brasília tem ativos superiores a R$ 150 bilhões e responde por crédito habitacional, folha de servidores e programas sociais do DF. Qualquer instabilidade na governança repercute em:
- Risco de rebaixamento de rating por agências de classificação
- Possível fuga de depositantes institucionais
- Questionamentos do Banco Central sobre compliance e controles internos
- Dificuldade para captar recursos no mercado de capitais
Analistas de mercado ouvidos reservadamente afirmam que a credibilidade do BRB — construída em décadas — pode ser abalada se a interferência for confirmada judicialmente.
O lado do Banco Master na equação
O Master, por sua vez, enfrenta investigação paralela por suspeita de irregularidades contábeis e operações de crédito de risco elevado. A instituição tem cerca de R$ 30 bilhões em ativos e buscava no BRB um sócio de porte para recompor capital.
A negociação previa aporte inicial de R$ 2 bilhões, com opção de compra total futuramente. O relatório da PF sugere que o modelo foi desenhado para contornar exigências do Banco Central para aquisição de controle.
Próximos passos no STF e no Banco Central
O ministro relator deve decidir nos próximos dias se abre ação penal ou remete para instância inferior. Paralelamente, a diretoria de fiscalização do Banco Central já instaurou processo administrativo para apurar falhas de governança no BRB.
Prazos processuais no STF costumam ser longos, mas medidas cautelares — como afastamento temporário de dirigentes — podem ser decretadas a qualquer momento.
O que observar daqui para frente
Três movimentos merecem atenção de investidores e gestores nos próximos 60 dias: a decisão do STF sobre o recebimento da denúncia, o desfecho do processo administrativo no Banco Central e a posição do conselho de administração do BRB frente às acusações. Qualquer um dos três pode redesenhar o cenário da operação — ou enterrá-la de vez.
