AliExpress e Correios renovaram a parceria e assinaram um memorando para encurtar prazos justamente nos meses de maior volume: Black Friday e o festival de 11 de novembro. A promessa é rastreamento mais claro e processamento mais rápido — mas o que muda, de fato, para quem vende ou compra?
O acordo foi selado em setembro, na sede do Alibaba em Hangzhou, e prevê integração logística inédita para os picos de fim de ano.
Por que esse memorando importa agora
O quarto trimestre concentra a fatia mais pesada do e-commerce transfronteiriço no Brasil. Em 2025, os Correios processaram mais de 120 milhões de encomendas internacionais só entre outubro e dezembro. O novo memorando prevê:
- Expansão de centros de triagem dedicados a fluxos da China
- Integração de sistemas de rastreamento em tempo real
- Priorização de rotas nas semanas da Black Friday e do 11.11
A meta declarada é cortar o tempo médio de entrega em até 30% nas capitais e 20% no interior.
O efeito direto no bolso do lojista brasileiro
Quem importa para revenda ou usa dropshipping sente o impacto em duas frentes: capital de giro e satisfação do cliente final. Prazos menores reduzem a necessidade de estoque de segurança e diminuem chargebacks por “não recebi”.
Mas há um detalhe: a melhoria vale para pacotes que já entram no fluxo prioritário do AliExpress. Encomendas de vendedores que não aderiram ao programa de logística integrada da plataforma continuam no fluxo padrão.
Infraestrutura por trás da promessa
Os Correios estão no meio de um Plano de Reestruturação que prevê R$ 6 bilhões de aporte no Orçamento de 2027. Parte desse recurso vai para automação de centros de distribuição e modernização da última milha — justamente o gargalo histórico das importações de baixo valor.
O presidente da estatal, Emmanuel Rondon, afirmou que a operação já foi testada em volumes simulados de pico e mostrou capacidade de processar até 2,5 milhões de objetos por dia sem gargalos críticos.
O que o consumidor vai notar (e o que continua igual)
Rastreamento unificado: o código de rastreio passa a funcionar do despacho na China até a porta de casa, sem “buracos” de informação. Entrega domiciliar: expansão de rotas com georreferenciamento para reduzir tentativas frustradas. O que não muda: tributação (Remessa Conforme segue valendo), prazos de liberação aduaneira e a regra de isenção até US$ 50 para pessoas físicas.
Cenários para os próximos 90 dias
Se a integração entregar o prometido, o mercado verá três movimentos: queda nas reclamações de “pacote parado na alfândega”, aumento na conversão de carrinhos abandonados por medo de demora e pressão sobre concorrentes (Shopee, Shein, Mercado Livre) para oferecer SLAs semelhantes.
O risco está na execução: greves, eventos climáticos ou falhas de sistema no elo China-Brasil podem anular o ganho de eficiência.
O que observar daqui para frente
Acompanhe dois indicadores práticos: tempo médio de “objeto postado” até “objeto entregue” nas capitais (meta interna: abaixo de 12 dias úteis) e taxa de rastreamento com atualização a cada 24h. Se ambos melhorarem consistentemente até a Black Friday, o acordo deixa de ser papel e vira vantagem competitiva real para quem opera cross-border.
