A Nike aprovou uma nova rodada de demissões e reorganizou sua estrutura global após prever uma queda de receita mais acentuada que o esperado para o ano fiscal de 2027. A medida expõe a fragilidade da recuperação comandada pelo CEO Elliott Hill e assustou o mercado.
As ações da companhia despencaram 8,5% no after-hours logo após o anúncio. A grande dúvida agora é se o plano de economia de US$ 2,5 bilhões será suficiente para reverter a trajetória descendente.
O que muda na estrutura da empresa
A reestruturação elimina uma das quatro divisões regionais atuais. A operação passa a ser dividida em três blocos: Américas; Ásia-Pacífico e Grande China; e EMEA (Europa, Oriente Médio e África).
A meta é enxugar custos e acelerar a tomada de decisão. As notificações aos funcionários afetados, porém, só começarão em 2027, com a maior parte do impacto financeiro concentrada nos anos fiscais de 2029 e 2030.
China segue como principal dor de cabeça
O mercado chinês, vital para a estratégia global da marca, registrou queda de 26% nas vendas em moeda constante no primeiro trimestre. O recuo reflete consumo mais fraco e concorrência local agressiva.
Analistas apontam que a raiz do problema vai além da macroeconomia. A pipeline de lançamentos inovadores secou, forçando a Nike a depender de promoções agressivas para girar estoque — o que corroí margens e valor da marca.
Os números que assustam investidores
- Queda de receita projetada para FY2027: faixa alta de um dígito (analistas estimam -2% em média).
- Economia alvo com reestruturação: US$ 2,5 bilhões até FY2031.
- Reação imediata do mercado: -8,5% no after-hours.
- Início das demissões: 2027.
A projeção de receita em queda contrasta com o discurso de recuperação focado em categorias estratégicas, como corrida, e na reconstrução de laços com varejistas atacadistas. Sem produto novo forte, a execução fica comprometida.
O que observar daqui para frente
O cronograma alongado — com impacto real só a partir de 2029 — significa que a Nike terá de navegar pelo menos mais dois anos fiscais com a estrutura atual e a pressão chinesa. O termômetro real será a cadência de lançamentos de performance nos próximos trimestres e a capacidade de estabilizar a participação de mercado na Grande China sem sacrificar rentabilidade. Quem acompanha o setor deve monitorar se a simplificação regional trará agilidade real ou apenas custos de transição no curto prazo.
