Tecnologia

Angola Cables pode transformar 2º data center no Ceará em gigante de hiperescala para IA

Data center Angola Cables no Ceará com infraestrutura de hiperescala para inteligência artificial
Segundo data center da Angola Cables no Ceará será redesenhado como instalação de hiperescala para IA.

A Angola Cables está redesenhando completamente seu segundo data center no Ceará. O projeto, antes previsto como uma expansão padrão, agora caminha para se tornar uma instalação de hiperescala — modelo capaz de absorver cargas massivas de inteligência artificial e plataformas globais de conteúdo.

A mudança de rota não é especulação: veio direto do CEO da Angola Cables Europa, Samuel Carvalho, durante a Atlantic Convergence em Lisboa. A pergunta que fica é quanto esse pivô pode alterar o mapa de infraestrutura digital da América do Sul.

Do projeto convencional à escala de TikTok

Desde 2019, a empresa opera um data center na Praia do Futuro, em Fortaleza. Em 2022, fechou parceria com o Governo do Ceará para um segundo empreendimento, com investimento inicial estimado em US$ 40 milhões. O cenário mudou.

A demanda explosiva por processamento de IA e a entrada agressiva de redes sociais no mercado de infraestrutura própria forçaram uma reavaliação. Carvalho admitiu que a empresa reformulou “toda a visão” com base no que o mercado está pedindo agora.

O benchmark é claro: o data center que está sendo erguido no Porto do Pecém para operação do TikTok. Se o interesse se confirmar, o novo ativo da Angola Cables seguirá o mesmo padrão de hiperescala.

Por que Fortaleza virou peça-chave

A localização não é acidente. A Angola Cables controla 33 mil quilômetros de cabos submarinos (sistemas WACS, SACS e MONET), com dois deles aterrissando exatamente no hub de Fortaleza.

  • Maior capacidade disponível nos trechos Fortaleza–São Paulo e São Paulo–Miami
  • Baixa latência para Europa e África a partir do Ceará
  • Entrega em 12 meses: a empresa afirma conseguir erguer um data center pronto para cliente escalável nesse prazo

Essa combinação — conectividade bruta + velocidade de implantação — atende aos pré-requisitos das grandes empresas de conteúdo e IA que já mantêm conversas com a companhia.

O modelo de negócio mudou: não é mais imobiliário

“Não somos só um construtor imobiliário de data center que depois vai procurando encher”, disse Carvalho. A Angola Cables se posiciona agora como digital enabler: desenha a infraestrutura sob medida para a demanda já mapeada.

Dois caminhos estão na mesa: infraestrutura compartilhada com operador existente ou estrutura própria dedicada a um único grande cliente de IA. A decisão dependerá do perfil do contrato que fechar primeiro.

Praia do Futuro ou Pecém: a disputa pelo terreno

Ainda não há data para formalização. A empresa analisa dois polos:

  • Praia do Futuro: onde já opera, com ecossistema de cabos consolidado
  • Região do Pecém: onde o projeto do TikTok está em andamento, com zona industrial e portuária madura

A visão de Carvalho é transformar a Praia do Futuro em um “campus de interconexão” — integração física entre cabos submarinos e data centers. Ele projeta mais cabos aterrissando ali, inclusive consórcios costa a costa na América do Sul, com participação direta dos grandes players globais.

O que observar nos próximos meses

Três sinais vão ditar o ritmo dessa transformação:

  • Assinatura de contrato com um hiperscaler de IA ou rede social — gatilho para o modelo de hiperescala
  • Definição do local definitivo — Praia do Futuro ou Pecém
  • Anúncio de novos cabos submarinos em consórcio com players globais, reforçando o campus de interconexão

Para investidores e empresas de tecnologia, o movimento da Angola Cables sinaliza que o Nordeste brasileiro deixa de ser apenas ponto de passagem de dados para se tornar destino de processamento de alto valor. Quem chegar primeiro nesse ecossistema leva vantagem de latência, custo e soberania de dados.