O Uruguai autorizou na sexta-feira (6) a retomada das compras de frango e derivados do Brasil, confinando as restrições sanitárias ao estado de Santa Catarina. Com a medida, nenhum parceiro comercial mantém mais embargo de abrangência nacional, limitando o impacto direto a cerca de 3% do volume mensal exportado.
A decisão encerra um ciclo de 19 dias de incerteza iniciado com a confirmação de focos da doença de Newcastle no Oeste catarinense. Mas a velocidade da resolução esconde uma mudança estratégica na diplomacia sanitária brasileira.
O mapa das restrições encolheu drasticamente
Além dos uruguaios, México e Malásia já haviam revertido suspensões totais nas semanas anteriores. Países de peso como China, Arábia Saudita e Chile optaram, desde o início, por vetar apenas a produção originária da zona de restrição catarinense.
O resultado prático é uma contenção cirúrgica do dano comercial:
- Volume afetado: ~15 mil toneladas/mês.
- Participação na média: 3% das ~500 mil toneladas exportadas mensalmente.
- Área interditada: Quatro municípios (Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias).
Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, o reconhecimento da regionalização por parte dos importadores valida o sistema de defesa agropecuária nacional. “Uma ocorrência em um município não representa risco para a produção de todo o território”, resumiu.
De 74 para 19 dias: a métrica da confiança
A comparação com o episódio de 2024, no Rio Grande do Sul, expõe a evolução da capacidade de resposta. Na ocasião, o Brasil levou 74 dias para derrubar embargos nacionais. Desta vez, o prazo caiu para 19 dias.
O ministro da Agricultura, André de Paula, classificou a agilidade como um ativo de credibilidade. “Não é apenas número; é a demonstração de que um evento sanitário localizado não precisa paralisar o comércio de um país continental”, afirmou.
A rapidez decorre, em parte, da adoção de protocolos pré-acordados de regionalização com os principais destinos. A China, maior comprador global, foi peça-chave ao aceitar imediatamente a delimitação da zona de risco, sinalizando aos demais mercados a segurança do restante da produção.
O próximo alvo: derrubar o embargo estadual
Com a esfera nacional resolvida, o foco do governo migra para a revisão das barreiras que ainda atingem Santa Catarina como um todo. A meta é restringir o veto exclusivamente à área de vigilância — os quatro municípios já isolados sanitariamente.
O Mapa reforça que, fora desse perímetro, a produção segue sob inspeção oficial e livre de riscos. A expectativa é que a argumentação técnica, amparada na ausência de novos focos fora da zona de contenção, sensibilize os parceiros nas próximas rodadas diplomáticas.
O que observar nas próximas semanas
A normalização plena das exportações catarinenses depende agora da velocidade de atualização dos certificados sanitários internacionais (CVI). Operadores de mercado devem monitorar:
- Publicação de atos oficiais pelos ministérios da Agricultura de China, Arábia Saudita e Chile alterando o escopo da restrição para “zona de risco”.
- Fluxo de embarques nos portos do Sul — qualquer atraso na emissão de CVI pode criar gargalos logísticos temporários.
- Vigilância ativa em Santa Catarina: a ausência de novos focos por 28 dias (dois períodos de incubação) costuma ser o gatilho técnico para a declaração de zona livre.
Enquanto a diplomacia sanitária avança, o consumo interno permanece tranquilo: o ministério garante que produtos inspecionados são seguros, sem contraindicações. Para o empresariado, o recado é claro — a resiliência da cadeia avícola brasileira foi testada e aprovada em tempo recorde.
