Tabeliães de todo o país estão nas ruas neste sábado (7) para um mutirão nacional gratuito contra fraudes imobiliárias. A ação ocorre enquanto golpes de estelionato disparam mais de 400% nos últimos anos. O que você precisa checar antes de assinar qualquer papel?
O tamanho do problema: números que assustam
O alerta não é exagero. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, foram registradas 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025 — um salto de 429,8% em relação a 2018. Embora o dado englobe diversas modalidades, a escalada reforça a vulnerabilidade de quem negocia imóveis sem orientação técnica.
Para o presidente do Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF), Eduardo Calais, a compra da casa própria costuma representar a economia de uma vida inteira. Um único erro pode transformar esse patrimônio em uma disputa judicial que dura décadas.
Os 4 golpes mais comuns que tiram o sono do comprador
O CNB/CF mapeou as armadilhas mais frequentes nas negociações. Conhecê-las é a primeira barreira de proteção:
- Falsos proprietários: pessoas que se passam por donos de imóveis alheios.
- Procurações falsificadas: documentos adulterados para dar poderes de venda a terceiros.
- Restrições omitidas: dívidas, penhoras ou usufrutos escondidos na hora da venda.
- Pagamento antecipado sem lastro: exigência de sinal ou valor total antes da formalização jurídica.
Em muitos casos, a vítima só descobre o problema após transferir o dinheiro ou tentar registrar o imóvel no próprio nome — quando já é tarde.
A escritura pública e o “seguro” do seu dinheiro
A principal ferramenta de prevenção continua sendo a escritura pública. Elaborada por um tabelião de notas, ela garante a identificação das partes, a verificação da capacidade jurídica e a leitura atenta das cláusulas. Diferente do contrato particular, a escritura tem fé pública e antecede o registro no Cartório de Imóveis — etapa que efetivamente transfere a propriedade.
Mas o momento do pagamento segue sendo o mais sensível. Para atacar esse ponto, a Jornada Notarial 2026 apresenta o Simulador da Conta Notarial. A ferramenta educativa demonstra como os valores podem ficar depositados em conta gerida pelo tabelião, sendo liberados apenas após o cumprimento de todas as condições acordadas. É uma espécie de “escrow” notarial que elimina o risco de pagar e não receber a escritura.
Checklist rápido antes de fechar negócio
Além de participar do mutirão, o comprador deve adotar rotinas básicas de due diligence:
- Solicitar a matrícula atualizada do imóvel (certidão de ônus reais) para confirmar o proprietário e eventuais gravames.
- Conferir a identidade do vendedor e a autenticidade de eventuais procurações.
- Desconfiar de preços muito abaixo do valor de mercado.
- Nunca transferir recursos sem que as condições estejam documentadas e formalizadas.
Onde encontrar orientação gratuita hoje
A mobilização ocorre em shoppings, praças e espaços públicos de diversas capitais e municípios. Estão confirmadas atividades em:
- Salvador (BA), João Pessoa (PB), Fortaleza (CE), Recife (PE)
- Belo Horizonte (MG), Santos (SP), Brasília (DF)
- Campo Grande (MS), Boa Vista (RR), Porto Alegre (RS)
- Diversos municípios de Goiás
A programação completa e os endereços exatos estão disponíveis no site jornadanotarialdafamilia.com.br. O atendimento é aberto à população e não tem custo.
O que observar daqui para frente
A expansão dos golpes imobiliários acompanha a digitalização das negociações e a sofisticação das fraudes documentais. A tendência é que a Conta Notarial ganhe adesão como padrão de mercado para transações de alto valor, funcionando como uma camada extra de governança. Para investidores e compradores, a lição prática é clara: a economia com assessoria jurídica prévia costuma sair infinitamente mais cara do que o custo de uma escritura bem feita. Fique atento às atualizações do CNB/CF e, sempre que possível, leve um tabelião para a mesa de negociação.
