A inflação dos alimentos em São Paulo disparou para 1,35% em outubro, mais que triplicando o ritmo de setembro. O alívio, porém, apareceu nos últimos dias do mês, sugerindo uma mudança de rota que pode impactar seu bolso nas próximas semanas.
O choque da carne puxa a fila
O grande vilão da vez tem nome e sobrenome: carne bovina. A arroba do boi gordo firmou-se em R$ 390, empurrando a alta do varejo para 3,8% apenas no mês passado. No acumulado do ano, a proteína já pesa 13% a mais no orçamento do paulistano.
Para o empresário do varejo ou food service, a equação é simples: repasse imediato ou compressão de margem. Não há meio-termo quando a matéria-prima sobe nesse ritmo.
Grãos e óleos dão trégua, mas “in natura” assusta
Enquanto a carne pressiona, arroz e óleo de soja perderam fôlego. O óleo, que chegou a subir 4,7% na segunda quadrissemana, fechou outubro em 1,59%. O arroz estabilizou no varejo, embora ainda carregue 6% de alta em 30 dias.
O problema migrou para a feira. Chuvas constantes atrapalharam colheita e logística, fazendo os produtos in natura saltarem 5% no mês. Destaque para:
- Tomate: lidera as altas entre hortifrútis.
- Cebola: segue pressionada por oferta restrita.
O termômetro de campo aponta estabilidade
Os primeiros dias de novembro trazem sinais de calma nas origens. A saca de arroz estacionou em R$ 82 no Rio Grande do Sul; a soja em R$ 152 no Paraná; o café arábica em R$ 1.600 em Minas. A arroba do boi também parou de subir nas praças pecuárias.
Se o varejo demora a refletir o campo, a janela de oportunidade para recompor estoques a preços estáveis está aberta agora.
El Niño e exportações: variáveis de fundo
Parte da alta já contratada vem do El Niño, com previsão de intensidade máxima até meados de 2025. Ao mesmo tempo, o escoamento da safra segue forte: 6 milhões de toneladas de soja e 5,6 milhões de milho saíram em outubro, com mais 9,3 milhões programados para novembro.
Essa demanda externa sustenta os patamares internos, limitando quedas bruscas mesmo com safra cheia.
O que observar daqui para frente
A desaceleração na última quadrissemana de outubro é o dado mais relevante para planejamento de curto prazo. Se a estabilidade no campo se confirmar nas próximas duas semanas, o IPCA de alimentos deve perder tração em novembro.
Monitore o repasse do boi gordo no atacado e o volume de chuvas no cinturão hortifrutícola. São esses dois vetores que ditarão se a trégua de fim de outubro vira tendência ou apenas um suspiro.
