O maior festival gratuito de tecnologia e criatividade do país ocupa o Recife Antigo de 11 a 14 de novembro com uma promessa ousada: transformar o Brasil de consumidor em protagonista da inteligência artificial. A oitava edição do REC’n’Play espera superar os 80 mil inscritos de 2024 e já tem a programação aberta para inscrição prévia.
Chamado de “Carnaval do Conhecimento”, o evento organizado pelo Porto Digital e Sebrae Pernambuco espalha mais de mil atividades por ruas, arenas e centros culturais do bairro histórico. Mas a festa esconde uma estratégia de país.
Por que o Recife Antigo virou laboratório a céu aberto
O circuito deste ano ganhou a Rua da Moeda e o cinema de rua, novo ponto de encontro entre cultura e inovação. A Arena de Negócios migrou para o recém-inaugurado Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital (NERD), enquanto a Arena Games ocupa área aberta sob o Cais do Sertão.
Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, resume a mudança: “Queremos reduzir mesas e aumentar oficinas para trabalhar a parte educacional de forma muito forte”. Metade da grade agora é prática — workshops, não palestras.
O distrito de inovação por trás do festival carrega números que justificam a aposta: 25 anos de existência, 541 empresas, 24 mil colaboradores e faturamento anual de R$ 7,4 bilhões.
Os nomes que vão dividir o palco com a plateia
- Déia Freitas e Fabrício Carpinejar farão palestras em palco montado na rua
- Caco Barcelos traz jornalismo investigativo para o debate tecnológico
- Murilo Gun comanda a vertente de criatividade e inovação
- Lenine fecha a programação musical com show gratuito
A curadoria incluiu edital público com centenas de propostas selecionadas por professores e especialistas — garantindo diversidade de vozes além dos convidados principais.
IA no centro: mercado de trabalho e a aposta brasileira
“Estamos trabalhando muito com a parte de inteligência artificial e os seus impactos no mercado de trabalho”, afirma Lucena. O tema atravessa oficinas, debates e a nova configuração das arenas temáticas.
Mas o diagnóstico vai além do festival. Segundo o Índice Global de Inovação 2026 da OMPI, o Brasil ocupa a 53ª posição entre 139 países. Para Lucena, o ranking expõe uma escolha estratégica: “O país precisa discutir seu papel no mundo da tecnologia, se quer ser fornecedor ou consumidor. O que a gente defende é que ele seja fornecedor, principalmente de aplicações na inteligência artificial”.
A tese: o Brasil concentra complexidade de problemas reais — saúde, logística, agricultura, desigualdade urbana — e a IA funciona como motor de soluções escaláveis. “Inovação se faz com resolução de problemas e o Brasil é um celeiro de complexidade”, completa.
Inclusão tecnológica: do edital à prática
Outro eixo prioritário é a inclusão. O edital aberto para propostas de oficinas e mesas recebeu centenas de inscrições, ampliando o leque de temas além do circuito corporativo tradicional. A gratuidade mantém-se como princípio, mas a inscrição prévia no site oficial passou a ser obrigatória para controle de capacidade.
A programação infantil, as experiências interativas e as rodas de conversa completam a grade pensada para públicos diversos — de estudantes a investidores.
O que observar nos próximos meses
O REC’n’Play funciona como termômetro: a quantidade de startups conectadas a investidores na Arena de Negócios, o volume de projetos de IA aplicada a problemas brasileiros e a adesão às oficinas técnicas dirão se a meta de “fornecedor global” sai do papel. Acompanhe a ocupação da Rua da Moeda e o fluxo no NERD — são os novos endereços onde o ecossistema se encontra.
