A Almirante Participações, empresa do enteado de Leila Pereira, já opera como dona do Vasco antes mesmo da assinatura final. O leilão da SAF foi vencido, a Justiça aprovou, mas a CBF ainda segura a caneta.
Enquanto a torcida comemora, uma investigação silenciosa pode atrasar — ou até mudar — os planos de Marcos Lamacchia e Mário Junqueira para 2027.
Quem manda de verdade no Vasco hoje
Marcos Lamacchia detém 99% da Almirante. Mário Junqueira, seu sócio, fica com 1%. Mas é Junqueira quem circula pelos corredores de São Januário, senta em camarotes e acessa vestiários vazios antes dos clássicos.
Ele virou o rosto visível da transição. Nas redes sociais, criou perfil para dialogar com a torcida. Nos bastidores, mapeia funcionários, processos e a cultura do clube.
O advogado André Sica, que representa a Almirante, também presta serviços ao Palmeiras há anos. A ponte aérea Rio-São Paulo nunca foi tão curta.
O freio invisível da CBF
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) abriu investigação para apurar conflito de interesses. Lamacchia na Almirante, Leila no Palmeiras: mesmo lastro financeiro, clubes rivais.
Enquanto o processo corre, medidas cautelares já valem:
- Proibição de nomear pessoas ligadas à investidora para cargos de gestão ou decisão estratégica
- Vedação a empréstimos gratuitos ou trocas de jogadores entre Vasco e Palmeiras
- Impedimento de operações de crédito entre os dois clubes
- Bloqueio a patrocínios cruzados
Na prática, a transição virou um jogo de xadrez com as mãos amarradas.
Dinheiro novo, regras antigas
A Crefisa — de Leila e Lamacchia — já foi garantidora na janela do meio do ano. Emprestou R$ 80 milhões dentro da recuperação judicial. A própria Almirante liberou até R$ 150 milhões recentes, após disputa judicial.
Mas o caixa não abre de uma vez. A liberação é gradual, controlada. Um retrato fiel da entrada em câmera lenta da nova gestão.
Pedrinho, presidente do clube associativo, estendeu o tapete. A ideia é evitar o trauma da 777 Partners. Só que a burocracia tem tempo próprio.
O que observar daqui para frente
A semifinal da Copa do Brasil virou teste de fogo. Lamacchia e Junqueira assistem, torcem, aprendem. A posse efetiva no conselho de administração depende do aval final da ANRESF — sem data definida.
Até lá, Junqueira segue na ponte aérea. Lamacchia, nos bastidores. E a torcida, na expectativa de que 2027 chegue com a caneta na mão certa.
Fique atento: a decisão da ANRESF sobre conflito de interesses ditará o ritmo real da transição. Se houver restrições severas, o modelo de governança precisará ser redesenhado antes mesmo da estreia oficial.
