Italo Ferreira, vice-líder do ranking mundial, foi eliminado logo na bateria de abertura em Cloud 9. A derrota para o havaiano Seth Moniz embaralha a disputa pelo troféu justamente quando os rivais diretos ainda nem entraram na água.
O dia nas Filipinas funcionou como um teste de estresse para a comitiva brasileira. Quatro atletas caíram ainda no domingo, mas um nome local roubou a cena com a melhor performance numérica da rodada.
O golpe na estratégia de Italo
O bicampeão mundial somou 13,67 pontos contra 14,43 do adversário. Italo chegou a cravar a melhor onda da bateria — um 7,5 —, mas não encontrou o backup necessário para virar o placar.
A derrota expõe uma variável técnica decisiva: a preferência de pé. Moniz, surfista “regular”, encaixa os tubos de frente na direção principal de Cloud 9. Italo, “goofy”, precisa surfar de costas, o que exige leitura e execução mais complexas em condições de alta velocidade.
No ranking, o cenário fica delicado. Yago Dora (líder), Griffin Colapinto (terceiro) e Gabriel Medina (quarto) aguardam a estreia com a chance de abrir margem segura na tabela.
Efeito cascata: três eliminações em sequência
Não foi um caso isolado. O domingo varreu outros três brasileiros da chave principal:
- Miguel Pupo: parou nas oitavas diante de Jack Robinson (13,23 a 12,60). Teve nota 7,5, mas faltou a segunda onda.
- João Chianca (Chumbinho): caiu na primeira fase para o australiano Liam O’Brien.
- Samuel Pupo: superado pelo filipino John Mark Tokong, dono da casa.
Tokong, inclusive, escreveu o capítulo mais surpreendente do dia. Surfando no quintal de casa, ele registrou as maiores notas individuais e o maior somatório da rodada, provando que o conhecimento local ainda pesa mais que o ranking em condições específicas.
Toledo avança e herda duelo de peso
Filipe Toledo foi o único homem do Brasil a vencer no dia. O bicampeão bateu Cole Houshmand por 10,67 a 9,53 com uma atuação sólida, sem depender de notas explosivas.
O prêmio pela classificação é um confronto direto nas oitavas: Griffin Colapinto, terceiro do mundo e concorrente direto na briga pelo título. Quem passar ganha fôlego extra na corrida matemática.
Luana Silva passa, mas o muro é Carissa Moore
No feminino, Luana Silva estreou batendo Bettylou Sakura Johnson (10,63 a 9,66) e garantiu vaga nas quartas. A recompensa, porém, é a pentacampeã mundial Carissa Moore.
O duelo coloca uma brasileira em ascensão frente a uma lenda que domina o repertório de tubos e manobras de borda em Cloud 9. A experiência da havaiana será o principal obstáculo para a sequência da campanha.
O que observar na próxima chamada
A competição retorna domingo, às 20h (horário de Brasília), com transmissão pelos canais da WSL e sportv. Três variáveis definem os próximos passos:
- Entrada de Yago Dora, Medina e Colapinto: a resposta deles ditará se a liderança do ranking troca de mãos.
- Condições do mar: se a direção do swell mantiver a vantagem para “regulars”, a estratégia dos goofies precisará de ajuste imediato.
- Desempenho de Toledo contra Colapinto: um confronto que vale pontos no ranking e peso psicológico na reta final do ano.
A etapa das Filipinas ainda tem bateria para mudar a geometria do título. Quem souber ler os tubos de Cloud 9 com a prioridade certa sai na frente.
