Cultura

SAF, base e R$ 23 mi: quem leva o prêmio de melhor gestão no feminino?

Logos de Bahia, Palmeiras e São Paulo competindo no Prêmio Para Elas 2026
Três modelos de gestão disputam o título de melhor departamento de futebol feminino do Brasil

Bahia, Palmeiras e São Paulo são os finalistas ao troféu de Melhor Departamento de Futebol Feminino de 2026 no Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas. A revelação saiu nesta quinta-feira (29), mas a cerimônia de premiação só ocorre em 15 de novembro, no Museu do Futebol, em São Paulo. O que torna a disputa fascinante não é apenas o campo, mas três modelos de gestão radicalmente distintos competindo pelo mesmo reconhecimento.

O modelo SAF do Bahia: continuidade como ativo estratégico

O Tricolor baiano vive o melhor momento desde a reativação da modalidade em 2018. Chegou às semifinais da Copa do Brasil pela segunda vez consecutiva e, feito inédito, figurou entre os quatro melhores do Brasileirão. A goleira Yanne vestiu a camisa da Seleção em amistosos contra a Argentina.

A virada de chave coincide com a chegada do Grupo City, que adquiriu 90% da SAF em 2023. O departamento ganhou área exclusiva no centro de treinamento e apostou na estabilidade: 19 atletas do elenco de 2025 permaneceram, assim como o técnico Felipe Freitas. No futebol feminino, onde a rotatividade costuma ser a regra, manter o núcleo pode ser o maior diferencial competitivo.

O aporte agressivo do Palmeiras: R$ 23,4 milhões e gestão de ativos

O Verdão iniciou 2026 levantando a Supercopa sobre o Corinthians, embora tenha caído nas quartas do Brasileirão e da Libertadores. O orçamento previsto para a modalidade neste ano beira R$ 23,4 milhões, valor que coloca o clube em patamar de elite sul-americana.

A maior fatia — cerca de R$ 18,5 milhões — financiou a contratação de estrelas como Bia Zaneratto e Antonia. O restante ergue um CT de excelência em Vinhedo (SP), em terreno de 692 metros quadrados. Curiosamente, a obra foi viabilizada pela venda da centroavante Amanda Gutierres ao Boston Legacy (EUA), em 2025, por quase R$ 6 milhões. O caso expõe um ciclo virtuoso: investe-se para valorizar ativos, vende-se para financiar estrutura.

A fábrica de talentos do São Paulo: 14 “Soberanas” no elenco campeão

Atual campeão brasileiro, o Tricolor paulista aposta no que tem de mais difícil de comprar: tempo de formação. Quatorze jogadoras do elenco profissional passaram pela base do clube. Duas delas, a zagueira Carol Gil e a atacante Isa, já defenderam a Seleção principal. O técnico Thiago Viana subiu da base (sub-16 a sub-20) para o time principal em 2023, garantindo continuidade metodológica.

A estrutura de apoio acompanhou a evolução. Em 2026, o clube contratou psicólogas para o profissional (Nathany Cavalcante) e para a base (Djara Fortes, com década de experiência no rival Corinthians). O sub-15 acabou de conquistar o tricampeonato do Paulista F Petrobras, sinal de que a esteira de produção não parou.

O que os números não mostram: saúde mental e estrutura invisível

Se Bahia aposta em retenção, Palmeiras em capital intensivo e São Paulo em formação, os três convergem em um ponto: a profissionalização do entorno. Espaços de treino dedicados, comissões técnicas ampliadas e suporte psicológico deixaram de ser “diferenciais” para virar requisito mínimo de competitividade. O voto dos próprios representantes dos clubes da elite valida esse novo padrão.

  • Bahia: Modelo SAF + estabilidade de elenco e comissão.
  • Palmeiras: Maior orçamento declarado + venda de ativos para financiar CT próprio.
  • São Paulo: Base como motor + integração metodológica entre categorias.

A decisão em novembro: o que observar daqui para frente

Os eleitores são os próprios gestores dos times da Série A1, o que torna o prêmio um termômetro de quais práticas o mercado respeita. A entrega dia 15 de novembro coroará uma filosofia. Para investidores e dirigentes, a lição prática é clara: não existe receita única, mas a ausência de planejamento estrutural — CT próprio, pipeline de base, gestão de ativos ou saúde mental — já não é mais compatível com o topo da tabela. Acompanhar como cada clube evolui esses pilares em 2027 dirá mais sobre o futuro do negócio do que o próprio troféu.