Economia

O segredo por trás do trilhão: agro fatura R$ 1,24 tri e ranking revela surpresas

Gráfico de barras mostra top 10 do agronegócio brasileiro com receita de R$ 1,24 trilhão em 2025, JBS lidera ranking Forbes Agro100
As 10 maiores empresas do agro faturaram R$ 1,24 tri em 2025, segundo ranking Forbes Agro100.

As dez maiores empresas do agronegócio brasileiro fecharam 2025 com receita líquida combinada de R$ 1,24 trilhão, alta de 11,08% sobre o ciclo anterior. O número impressiona, mas esconde uma concentração de poder que poucos investidores dimensionam.

O levantamento Agro100, da Forbes Brasil, mostra que o topo da pirâmide puxa o crescimento do setor inteiro. Juntas, as 100 maiores companhias somaram R$ 2,1 trilhões — expansão de 13,45% em doze meses.

Quem manda no tabuleiro

A JBS segue isolada na liderança com R$ 480,58 bilhões, valor superior ao PIB de vários estados brasileiros. A distância para a vice-líder é abismal: a MBRF (Marfrig) registrou R$ 163,96 bilhões, menos de um terço do faturamento da primeira colocada.

O pódio fecha com a Cargill Alimentos, terceira com R$ 115,29 bilhões. A multinacional de origens americanas mantém posição estratégica na originação e processamento de grãos, elo essencial da cadeia exportadora.

O efeito concentração nos números

As dez primeiras respondem por fatia desproporcional do faturamento total das cem maiores. Isso significa que decisões de meia dúzia de conselhos de administração ditam o ritmo de investimentos, contratações e capacidade de absorção de choques climáticos ou cambiais.

Para o empresário do agro, o recado é claro: a escala deixou de ser vantagem competitiva para virar condição de sobrevivência. Quem não está no top 10 disputa migalhas em mercados cada vez mais comprimidos por margens apertadas.

Ranking completo das dez maiores

  • 1º JBS: R$ 480,58 bi
  • 2º MBRF (Marfrig): R$ 163,96 bi
  • 3º Cargill Alimentos: R$ 115,29 bi
  • 4º a 10º: demais posições completam o trilhão

A lista completa traz tradings, cooperativas e processadores de proteína animal e vegetal. O denominador comum? Capacidade de integração vertical e acesso a capital barato para atravessar ciclos de commoditie.

Clima e câmbio: as variáveis que ninguém controla

O crescimento de dois dígitos ocorreu mesmo com safras irregulares no Centro-Oeste e Sul. A explicação está no câmbio favorável às exportações e na recomposição de preços internacionais de carne e grãos no segundo semestre.

Mas a série especial do Jornal Nacional sobre mudanças climáticas no agro expõe a fragilidade subjacente: eventos extremos tornam a previsibilidade de receita cada vez mais ilusória, mesmo para gigantes.

O que observar daqui pra frente

O próximo ciclo testará a resiliência desse modelo concentrado. Três vetores merecem monitoramento contínuo: a taxa de juros real no Brasil, a demanda chinesa por proteína e a regulação europeia contra desmatamento (EUDR), que entra em vigor plena em 2025.

Empresas com balanço sólido e diversificação geográfica tendem a capturar participação de mercado dos players mais alavancados. O ranking de 2026 dirá se a concentração se aprofunda ou se abre espaço para novos entrantes com tecnologia e capital paciente.