Economia

Pedágios da Rota Mogiana caem até 20% domingo: o segredo para pagar menos

Praça de pedágio da Rota Mogiana com veículo passando por cabine automática com tag
Nova concessão traz descontos progressivos de até 20% para usuários de tag nas nove praças da Rota Mogiana.

A partir deste domingo (1º), motoristas que cruzam as nove praças de pedágio da Rota Mogiana passam a contar com descontos progressivos que podem chegar a 20% sobre a tarifa cheia. A redução vale para quem usa tag de pagamento automático e aumenta conforme a frequência de passagens pela mesma cabine. Mas há um detalhe: os abatimentos não se somam — e entender essa regra faz toda a diferença no bolso.

A mudança coincide com o início da nova concessão de 30 anos, vencida pelo consórcio liderado pelo grupo Azevedo e Travassos com lance de R$ 1,08 bilhão. O contrato prevê R$ 9,4 bilhões em investimentos totais, dos quais R$ 544,2 milhões já estão comprometidos para os dois primeiros anos.

Como funcionam os dois tipos de desconto

O modelo aprovado pela Artesp em 27 de outubro cria duas camadas de benefício, ambas atreladas ao uso de tag — o adesivo no para-brisa que permite passagem sem parar. A primeira é fixa: 5% de redução em toda passagem para veículos com tag ativa.

A segunda, chamada Desconto de Usuário Frequente (DUF), é progressiva e conta apenas passagens pela mesma praça dentro do mês. Veja as faixas:

  • 1ª a 10ª passagem: 5% de desconto
  • 11ª a 20ª passagem: 10% de desconto
  • 21ª passagem em diante: 20% de desconto

Atenção: os percentuais incidem sobre a tarifa integral, não sobre o valor já reduzido pela tag. Ou seja, quem atinge a faixa de 20% paga 80% da tarifa cheia — não 80% do preço com 5% de desconto.

Valores reais nas nove praças

A tabela abaixo mostra a tarifa normal e o valor com tag (já com os 5% automáticos) para carros de passeio. Os descontos por frequência (DUF) são calculados a partir da tarifa cheia.

Praça de pedágio Tarifa normal Com tag (5%)
Jaguariúna R$ 8,80 R$ 8,36
Estiva Gerbi R$ 7,80 R$ 7,41
Casa Branca R$ 8,15 R$ 7,74
Mococa R$ 8,10 R$ 7,69
Espírito Santo do Pinhal R$ 10,45 R$ 9,92
Águas da Prata R$ 4,60 R$ 4,37
Aguaí R$ 6,30 R$ 5,98
São João da Boa Vista R$ 7,40 R$ 7,03
Itobi R$ 10,75 R$ 10,21

Na prática, um motorista que cruza a praça de Jaguariúna 21 vezes no mês pagará R$ 7,04 por passagem (20% sobre R$ 8,80), contra R$ 8,36 nas dez primeiras (5% automático da tag) e R$ 7,92 nas dez intermediárias (10% DUF).

O fim do Ponto a Ponto e o que muda para o usuário

Com a nova concessão, o sistema Ponto a Ponto de Jaguariúna — que cobrava valores diferenciados conforme o trecho percorrido mediante cadastro prévio — será desativado. A justificativa do governo estadual é que a redução de 50% aplicada em julho (a tarifa de Jaguariúna caiu de R$ 17,60 para R$ 8,80) já estendeu o benefício a todos, sem burocracia.

Caminhões e ônibus seguem tabelas próprias por categoria e número de eixos. Motocicletas continuam isentas.

Obras previstas: o que vem pela frente

Os 520 km sob concessão cortam 22 municípios paulistas, incluindo nove na região de Campinas, onde vivem cerca de 2,3 milhões de pessoas. O cronograma inicial foca em recuperação de asfalto, sinalização, drenagem, pontes, viadutos, iluminação e dispositivos de segurança.

Já as grandes ampliações estão programadas para os próximos anos:

  • 217 km de duplicações
  • 138 km de faixas adicionais e terceiras faixas
  • 86 km de vias marginais
  • 58 novas passarelas para pedestres
  • 36,8 km de ciclovias
  • 135 pontos de ônibus

Trechos prioritários incluem a SP-340 entre Campinas e Mogi Guaçu e a SP-350 entre Casa Branca, Itobi e São José do Rio Pardo.

Pedágio sem parar: o Siga Fácil chega aos poucos

Outra novidade contratual é a implantação gradual do sistema Siga Fácil — cobrança eletrônica por leitura de placa ou tag, sem cabines físicas. A ativação de novos pontos depende, porém, da comprovação das melhorias iniciais e da liberação da Artesp. Não há datas definidas para cada praça.

O que observar daqui para frente

As tarifas atuais vigoram até 31 de outubro de 2027, quando ocorre a primeira revisão ordinária. Até lá, três variáveis merecem atenção: a velocidade de execução das obras prometidas (especialmente duplicações), a expansão real do Siga Fácil e eventuais reajustes anuais pela inflação. Para quem roda muito na região, a conta é simples: tag no carro + disciplina para concentrar passagens nas mesmas praças = economia real que pode passar de R$ 100 por mês em trajetos de alta frequência.