Economia

Varejo cai 33% pós-eleição: o segredo que o Goldman Sachs vê em 4 ações

Gráfico mostra queda de 33% nas ações do varejo brasileiro pós-eleição com destaque para 4 oportunidades do Goldman Sachs
Varejo cai 33% após eleições: Goldman Sachs identifica 4 ações subvalorizadas com assimetria de risco atrativa.

As ações do varejo brasileiro despencaram 33% em média desde o segundo turno, o dobro da queda do Ibovespa. Para o Goldman Sachs, esse tombo exagerado criou pontos de entrada raros em quatro papéis específicos.

A correção levou o setor a negociar a 7,6 vezes o lucro futuro, bem abaixo da média histórica de 10,9 vezes em cenários de juros reais semelhantes. A assimetria entre risco e preço chamou a atenção dos analistas.

Os quatro nomes que resistem ao cenário hostil

Em relatório recente, o banco manteve recomendação de compra para Mercado Livre (MELI34), RD Saúde (RADL3), Assaí (ASAI3) e Smart Fit (SMFT3). A tese central: crescimento estrutural, resiliência operacional e valuation descontado.

Confira os preços-alvo definidos pela instituição:

  • Mercado Livre (Nasdaq): US$ 2.230
  • RD Saúde (RADL3): R$ 26
  • Assaí (ASAI3): R$ 13,50
  • Smart Fit (SMFT3): R$ 38

Por que o Mercado Livre é a “joia da coroa”

O destaque vai para a gigante latina. O Goldman projeta crescimento médio anual de 45% no lucro por ação entre 2027 e 2029. A combinação de escala logística, ecossistema financeiro e dominância no e-commerce sustenta a tese de inflexão de resultados já no próximo ano.

Mas o efeito mais relevante para o investidor local aparece nas escolhas domésticas.

RD Saúde: a aposta defensiva que cresce

Dona da Raia Drogasil, a empresa negocia a 14,7 vezes o lucro estimado para 2027. O atrativo está na demanda inelástica a ciclos econômicos, ganho consistente de market share e a cauda longa do envelhecimento populacional.

É a proteção de carteira que ainda entrega expansão orgânica.

Assaí e Smart Fit: risco calculado em setores sensíveis

O Assaí carrega maior alavancagem, o que o torna sensível à Selic. Porém, o banco vê gatilho positivo na inflação de alimentos, que impulsiona o atacarejo e a recompra corporativa. O papel sai a 8,6 vezes o lucro de 2027, desconto frente à média histórica de 11 vezes.

Já a Smart Fit oferece previsibilidade rara: expansão de rede, maturação de unidades e diversificação geográfica mantêm o lucro projetado para 2027 acima do estimado no início da cobertura, em 2024.

O elefante na sala: a trajetória dos juros

As projeções assumem Selic média de 12,7% em 2027 com queda gradual. Se o afrouxamento for mais lento, os papéis mais alavancados — como Magazine Luiza (MGLU3) e o próprio Assaí — sentem o impacto primeiro.

Por outro lado, a tese do banco é que a desvalorização recente já precificou boa parte desse risco macro e político.

O que observar daqui para frente

O investidor deve monitorar dois vetores: a velocidade do ciclo de corte da Selic e a execução operacional das quatro empresas nos próximos balanços. A janela de assimetria favorável tende a fechar conforme o mercado reprica os fundamentos. Quem entra agora aposta na capacidade dessas companhias entregarem crescimento real mesmo com juros elevados.