Meio Ambiente

Explosão na CSN assusta Volta Redonda: reação química no poço de ferro-gusa gera nuvem de fumaça visível na cidade

Explosão na CSN Volta Redonda: nuvem de fumaça escura em usina Presidente Vargas durante descarregamento de ferro-gusa
Explosão na Usina Presidente Vargas da CSN em Volta Redonda gera densa fumaça visível em vários bairros; sem feridos.

Uma forte explosão seguida de densa fumaça escura interrompeu a rotina de Volta Redonda (RJ) no início da tarde desta quarta-feira (28). O incidente ocorreu na Usina Presidente Vargas, da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), por volta das 13h30, durante operação de descarregamento de ferro-gusa. Apesar do susto generalizado — a coluna de fumaça pôde ser vista de diversos bairros —, o Corpo de Bombeiros confirmou que não houve feridos nem focos de incêndio ativos após a varredura na área.

O que provocou o incidente na siderúrgica

Segundo nota oficial da companhia, o acidente teve origem técnica específica: o contato do ferro-gusa em altíssima temperatura com excesso de umidade no solo do poço de tombamento de escória. Essa combinação gerou uma reação química violenta, com liberação súbita de calor e gases, causando o deslocamento de ar sentido pela população como uma explosão.

A Brigada de Incêndio interna da CSN atuou de imediato no controle da situação, antes mesmo da chegada das equipes do Corpo de Bombeiros. A corporação militar realizou inspeção completa nas instalações e atestou a ausência de vítimas ou risco residual de chamas.

Impacto visual e repercussão imediata

A nuvem escura, típica da queima de materiais carbônicos e particulados metálicos, dominou o horizonte da cidade que cresceu em torno da usina, inaugurada em 1946. Moradores relataram tremor nas vidraças e forte odor de enxofre em pontos distantes do complexo industrial. Nas redes sociais, vídeos mostravam a fumaça subindo rapidamente, gerando especulações sobre a gravidade do evento antes dos comunicados oficiais.

  • Horário: aproximadamente 13h30.
  • Local: poço de tombamento de escória / descarregamento de ferro-gusa.
  • Causa preliminar: reação térmica entre metal líquido e umidade no solo.
  • Vítimas: nenhuma confirmada (Bombeiros e empresa).
  • Status: causas em apuração; área isolada e monitorada.

Contexto corporativo: a transição de comando em curso

O episódio acontece em momento sensível para a governança da CSN. Em setembro, o controlador Benjamin Steinbruch anunciou a contratação de Fabio Schvartsman — ex-presidente da Vale no período da tragédia de Brumadinho — para assumir o comando executivo da siderúrgica. A nomeação foi lida pelo mercado como sinal de profissionalização e aceleração de projetos estagnados, rompendo duas décadas de gestão familiar direta.

Pouco depois, a empresa surpreendeu ao fechar acordo vinculante para venda da SWT, sua unidade de aços longos na Alemanha, à espanhola Bipadosa por 550 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões). O ativo não era publicamente tratado como “à venda”, o que sugere apetite por desalavancagem e foco no core business brasileiro.

O que observar nos próximos dias

A apuração técnica das causas exatas — especialmente a origem da umidade excessiva no poço — definirá se houve falha de procedimento operacional ou manutenção. Para investidores e credores, o teste agora é duplo: a capacidade da nova gestão de responder com transparência e rigor a eventos de risco operacional, e se o incidente afeta cronogramas de produção ou metas de desinvestimento recém-anunciadas. A normalização segura da Usina Presidente Vargas será o termômetro imediato da nova fase prometida.