Economia

Petrobras despenca 10%: CEO chama de “especulação” e sinaliza compra

Gráfico de ações da Petrobras mostrando queda de 10% na bolsa de valores brasileira
Ações da Petrobras recuam cerca de 10% após resultado eleitoral, segundo dados da B3.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, classificou o tombo de cerca de 10% nas ações da estatal nesta segunda-feira (26) como um movimento puramente especulativo, descolado dos fundamentos do negócio. A reação do mercado ocorreu poucas horas após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. Para a executiva, a hora seria de comprar papéis — se ela pudesse.

O que moveu o preço nas últimas horas

Os recibos de ações (ADRs) e os papéis ordinários e preferenciais na B3 abriram em queda forte, refletindo o temor de investidores com possíveis mudanças na política de preços, dividendos e governança corporativa. O volume financeiro disparou, indicando que grandes gestores reposicionaram carteiras ainda no pré-mercado.

Chambriard, em entrevista à Reuters, foi direta: a empresa mantém caixa robusto, baixo endividamento e uma carteira de projetos que garante geração de valor nos próximos anos. “Não nos deixaremos influenciar por movimentos de curto prazo”, afirmou.

Impacto direto para quem tem a ação na carteira

Quem comprou nos últimos meses vê o patrimônio encolher dois dígitos em um único pregão. Quem vendia a descoberto (short) embolsou lucro rápido. No meio termo, o investidor de longo prazo enfrenta o dilema clássico: realizar prejuízo, segurar ou média para baixo.

  • Queda intradiária: ~10% nas preferenciais (PETR4) e ordinárias (PETR3)
  • Volume: 3 a 4 vezes a média diária recente
  • Dividend yield projetado (antes do tombo): acima de 15% ao ano

A fala da CEO — “a hora é de comprar” — funciona como sinal para o mercado, mas carrega restrição legal: executivos de estatais não podem operar papéis da própria companhia.

Contexto: o que mudou e o que segue igual

A transição de governo traz incertezas regulatórias. O novo mandato de Lula pode trazer indicações políticas para o conselho e a diretoria, além de pressão por preços de combustíveis abaixo da paridade internacional. Por outro lado, a Lei das Estatais e o estatuto da Petrobras limitam intervenções abruptas.

O plano estratégico 2024-2028, aprovado sob a gestão anterior, prevê US$ 102 bilhões em investimentos, com foco em exploração no pré-sal, refino e transição energética. Chambriard sinalizou que a execução segue no cronograma.

Cenários para os próximos pregões

Analistas dividem-se entre dois vetores. O primeiro, técnico: o papel atingiu região de suporte histórico e pode atrair compradores de valor, especialmente fundos de pensão e estrangeiros que veem assimetria favorável. O segundo, político: qualquer ruído sobre mudança na política de preços ou antecipação de dividendos extraordinários pode disparar nova onda de venda.

Mas o efeito mais relevante aparece no câmbio e na curva de juros. A percepção de risco fiscal contaminou o dólar futuro e os DIs longos, o que encarece o custo de capital da própria Petrobras — ironia para uma empresa que fatura em dólar e reporta em real.

O que observar daqui para frente

Três gatilhos concretos ditam o ritmo nas próximas semanas: a composição do novo conselho de administração (eleição em assembleia), a primeira reunião do comitê de pessoas sob a nova indicação do Ministério de Minas e Energia e a divulgação do balanço do terceiro trimestre, prevista para início de novembro. Cada um desses eventos pode confirmar — ou desmentir — a tese de que o tombo de hoje foi apenas ruído especulativo.