A WEG fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,67 bilhão — R$ 18 milhões por dia —, mas as ações (WEGE3) lideraram as quedas do Ibovespa na semana. O mercado não perdoou a compressão de margens, mesmo com receita recorde impulsionada por data centers nos EUA.
O faturamento líquido atingiu R$ 10,86 bilhões, alta de 5,7% em um ano. O Ebitda somou R$ 2,35 bilhões (+3,1%), e o retorno sobre capital investido chegou a 33,2%. Números sólidos que, isolados, justificariam otimismo. O problema está no que sobra de cada venda.
O motor americano que ninguém ignora
A América do Norte respondeu por 54,7% da receita internacional, o maior peso da história. Em dólares, as vendas na região saltaram 31%, para US$ 722,8 milhões. Dois vetores explicam o salto:
- Transformadores para modernização da rede elétrica norte-americana;
- Geradores Marathon como energia de reserva em data centers que sustentam IA e nuvem.
A conversão para reais, porém, amenizou o brilho: o dólar médio caiu de R$ 5,45 para R$ 5,14. Vendas externas subiram 14,8% em moeda forte, mas apenas 8,3% no balanço em reais.
Margem apertada: o sinal de alerta
A margem bruta recuou de 33,6% para 32,9%. A margem Ebitda foi de 22,2% para 21,6%. Três fatores pesaram, segundo a companhia:
- Alta do cobre, insumo crítico para motores e transformadores;
- Tarifas de importação impostas pelos EUA;
- Folha de pagamento mais pesada — subiu de 19,2% para 20,3% do custo dos produtos.
O aumento de pessoal reflete contratações antecipadas para novas linhas de produção que ainda não operam em ritmo pleno. É investimento, não ineficiência, mas o mercado cobra resultado imediato.
Expectativa vs. realidade: o gatilho da queda
Analistas da LSEG projetavam lucro de R$ 1,71 bilhão e Ebitda de R$ 2,40 bilhões. A entrega veio levemente abaixo, e a compressão de margem superou as estimativas. Na quarta-feira (21), as ações caíram 4,6% no intradiário, a R$ 46,53. Na semana de 19 a 23 de outubro, a desvalorização acumulou 10,96% — pior desempenho do Ibovespa, que cedeu apenas 0,17%.
Troca de comando na área que mais cresce
No mesmo dia do balanço, a WEG anunciou sucessão planejada na vice-presidência de Energia. João Paulo Gualberto da Silva, 37 anos de casa, sai em 31 de dezembro. Assume Paulo Leonardo da Silva Sinoti, atual diretor de Soluções em Energia & Serviços, também com três décadas de empresa. A posse ocorre em 1º de janeiro de 2027.
A área de geração, transmissão e distribuição — justamente a que puxa o crescimento nos EUA — avançou 24,1% nas vendas externas no trimestre. A transição acontece no pico da expansão.
O que observar daqui para frente
Três variáveis ditam o próximo capítulo: trajetória do cobre e do dólar, velocidade de maturação das novas fábricas (que hoje pressionam custos) e a execução do plano de sucessão na divisão de Energia. Se a margem bruta estabilizar acima de 33% nos próximos dois trimestres, a narrativa de “caro demais” perde força. Caso contrário, o desconto nas ações pode persistir mesmo com a demanda por data centers em alta.
Para quem acompanha o setor industrial, o recado é claro: a WEG vende mais do que nunca, mas transformar volume em rentabilidade voltou a ser o desafio central.
