Economia

WEG lucra R$ 18 mi por dia, mas ações desabam: o motivo que ninguém esperava

Gráfico de ações WEGE3 em queda com logotipo da WEG e ícones de dólar e cobre
Ações da WEG caem 11% apesar de lucro recorde de R$ 1,67 bi no 3T26

A WEG fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,67 bilhão, o equivalente a R$ 18 milhões por dia. Apesar do recorde histórico de receita internacional, as ações (WEGE3) lideraram as perdas do Ibovespa na semana, tombando quase 11%.

O paradoxo não está no faturamento, mas no que sobra no bolso da empresa. A margem bruta encolheu e o mercado não perdoou a combinação de dólar fraco, cobre caro e custos de expansão antecipados.

O motor americano quebrou recordes

A grande história do trimestre tem endereço certo: América do Norte. A região faturou US$ 722,8 milhões, salto de 31% em dólares sobre 2025, respondendo por 54,7% de tudo o que a WEG vende fora do Brasil — o maior peso da história.

Dois vetores explicam o apetite norte-americano:

  • Modernização da rede: transformadores para reforçar a infraestrutura elétrica envelhecida dos EUA.
  • Explosão de data centers: geradores da marca Marathon, do grupo, viraram item obrigatório como energia de reserva nos galpões de servidores que sustentam a IA.

No consolidado, as exportações representaram 62,5% da receita líquida total de R$ 10,86 bilhões. Em reais, porém, o ganho foi menor: o dólar médio caiu de R$ 5,45 para R$ 5,14, roubando R$ 0,31 de cada dólar faturado lá fora.

Por que a margem apertou se as vendas subiram?

A receita cresceu 5,7%, mas a margem bruta recuou de 33,6% para 32,9%. Parece pouco, mas em uma empresa que fatura R$ 118 milhões por dia, cada 0,1 ponto percentual pesa milhões.

A WEG aponta três vilões principais para a compressão:

  • Cobre: matéria-prima essencial para motores e transformadores, em alta nas commodities globais.
  • Tarifas EUA: taxas de importação que encarecem a cadeia logística norte-americana.
  • Folha de pagamento: o peso da mão de obra no custo dos produtos subiu de 19,2% para 20,3%. A empresa contratou pesado para novas fábricas que ainda não operam em capacidade plena.

O reflexo direto apareceu no Ebitda: a margem caiu de 22,2% para 21,6%. O resultado de R$ 2,35 bilhões ficou abaixo dos R$ 2,40 bilhões projetados pelo consenso da LSEG.

O castigo do mercado e a troca de comando

Na quarta-feira (21), os papéis chegaram a cair 4,6% no intradiário, fechando a semana com desvalorização de 10,96% — a pior performance do Ibovespa, que ficou praticamente estável (-0,17%). O lucro de R$ 1,67 bi também veio aquém dos R$ 1,71 bi esperados.

No mesmo dia do balanço, a empresa anunciou a sucessão programada na vice-presidência de Energia. João Paulo Gualberto da Silva deixa o cargo em 31 de dezembro após 37 anos de casa. Assume Paulo Leonardo da Silva Sinoti, atual diretor de Soluções em Energia & Serviços, também com três décadas de trajetória interna. A posse ocorre em 1º de janeiro de 2027.

A transição acontece justamente no momento em que a área de Geração, Transmissão e Distribuição — responsável pelos transformadores e geradores que puxam o crescimento nos EUA — acelera 24,1% nas vendas externas.

O que observar daqui para frente

A “fábrica de bilionários” — apelido herdado da valorização das ações nas mãos das famílias fundadoras (Voigt, Silva e Werninghaus) — segue gerando caixa robusto e ROIC de 33,2%. O desafio imediato é provar que a compressão de margem é temporária, fruto do ciclo de investimento (capex) e do câmbio, e não estrutural.

Três variáveis ditam o próximo trimestre: a trajetória do dólar frente ao real, o preço do cobre nas bolsas de metais e a velocidade de maturação das novas linhas de produção. Se o câmbio estabilizar e as fábricas entregarem a diluição de custos prometida, a ação pode voltar a testar topos históricos. Caso contrário, o desconto de “margem pressionada” deve persistir no valuation.