Economia

Braskem: Acordo de R$ 55 bi avança, mas impasse sobre controle persiste

Executivos da Braskem e credores em negociação de reestruturação de dívida de R$ 55 bilhões
Reunião decisiva define contornos do acordo para evitar recuperação judicial da petroquímica.

Credores e acionistas da Braskem estreitaram as negociações para reestruturar uma dívida de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 54,6 bilhões), aproximando-se do desenho final de um acordo que evitaria a recuperação judicial. A convergência gira em torno de uma injeção de capital massiva e conversão de dívida em ações, mas divergências sensíveis sobre governança e garantias futuras mantêm o desfecho em aberto.

O avanço representa o momento de maior proximidade entre as partes desde o início do processo de recuperação extrajudicial, em agosto. Ainda assim, fontes próximas às conversas alertam: diferenças significativas persistem e nada está garantido até a assinatura.

Os números que colocam as partes na mesma mesa

Tanto a proposta da petroquímica quanto a dos detentores de títulos preveem uma estrutura dupla: follow-on (oferta subsequente de ações) com aporte dos controladores e terceiros, além da conversão simultânea de dívida em participação acionária pelos credores.

Veja como os valores se comparam no ponto central da negociação:

  • Proposta dos Credores: US$ 4 bilhões (R$ 20 bi) totais iniciais.
  • Proposta da Braskem: US$ 5 bilhões (R$ 25 bi) totais iniciais.

Essa faixa de US$ 1 bilhão de diferença no “cheque inicial” é o menor abismo já registrado nas rodadas de conversa, segundo interlocutores que pediram anonimato devido à confidencialidade do processo.

Onde mora o perigo: detalhes do follow-on e governança

O diabo mora nos cronogramas e nas condições. No plano da companhia, os credores converteriam US$ 2,8 bilhões em ações. Já os acionistas principais (Petrobras e IG4 Capital) mais terceiros aportariam US$ 1,2 bilhão numa oferta de US$ 2,25 bilhões, prevista para ainda este ano.

Há gatilhos futuros: se métricas específicas forem atingidas, controladores colocariam mais US$ 500 milhões e credores, US$ 1,5 bilhão (via aporte e conversão) apenas em junho de 2029.

Os credores concordam com o tamanho do follow-on (US$ 2,25 bi), mas exigem compromisso firme agora de US$ 1,85 bilhão garantidos por controladores ou terceiros aprovados. A contrapartida imediata seria converter US$ 1,85 bilhão em ações, com mais US$ 450 milhões condicionados a 2029.

O nó do controle: Petrobras e IG4 não abrem mão

Um ponto inegociável na proposta da Braskem: a manutenção do controle e da gestão nas mãos da Petrobras e do IG4 Capital Group. O fundo IG4 não comentou; a Petrobras não respondeu aos pedidos de posicionamento. A Braskem limita-se a dizer que as negociações seguem em andamento.

Essa blindagem da governança contrasta com o pedido anterior dos credores, que solicitaram aporte de US$ 3 bilhões (R$ 15 bi) em capital novo pelos controladores — pedido prontamente rejeitado em rodadas passadas.

Prazo curto e cenários para os próximos dias

O relógio corre. Embora o limite formal para fechar o acordo seja 22 de novembro, a expectativa dos negociadores é selar o entendimento antes dessa data. O processo de recuperação extrajudicial foi a via escolhida justamente para evitar os custos e a exposição de uma recuperação judicial, mas a janela está se fechando.

O que observar daqui para frente: a definição sobre quem garante o follow-on (controladores atuais ou investidores terceiros) e a aceitação — ou não — da cláusula de manutenção do controle acionário. Se o impasse persistir, a conversão para recuperação judicial deixa de ser risco remoto e passa a ser cenário base para precificação dos ativos.