O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, foi direto: a maior ameaça ao segundo turno deste domingo (25) não está nas urnas, mas nas mensagens que você recebe no WhatsApp. Em pronunciamento em rede nacional na noite de sábado (24), ele pediu que 158 milhões de eleitores ativem o “senso crítico” contra conteúdos sensacionalistas e acusações sem prova contra candidatos ou a própria Justiça Eleitoral.
O recado soa óbvio, mas o timing é estratégico. Faltam horas para a votação que define o próximo presidente da República e governadores em seis estados — Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins. A pergunta que fica: quantos votos serão decididos com base em mentiras que circularam nas últimas 48 horas?
O que o ministro realmente teme
Nunes Marques não citou casos específicos, mas o padrão é conhecido. Nas vésperas do primeiro turno, áudios falsos sobre “urnas travadas” e “votos desviados” viralizaram em grupos de família e trabalho. O ministro destacou três frentes de vigilância:
- Sigilo do voto: “É dever de todos garantir”, disse. Foto de cédula ou print da urna configura crime.
- Mensagens acusatórias: conteúdo sensacionalista contra candidatos ou instituições deve ser descartado, não encaminhado.
- Local de votação: embora alterações sejam “número muito pequeno”, a checagem prévia evita transtorno.
As seções abrem das 8h às 17h no horário de Brasília. Quem não votou no primeiro turno está apto a votar agora — a justificativa de ausência também pode ser feita pelo celular.
Seu kit de sobrevivência digital (gratuito e oficial)
A Justiça Eleitoral concentrou tudo em três canais. O mais completo é o e-Título, disponível nas lojas de aplicativos. Com ele você resolve cinco pendências de uma vez:
- Consulta o local de votação atualizado
- Justifica ausência se estiver fora do domicílio eleitoral
- Verifica débitos eleitorais e emite guias de pagamento
- Lê os boletins de urna após o encerramento
- Carrega a versão digital do título (válida com documento com foto)
Alternativas: o Autoatendimento Eleitoral nos sites do TSE e dos TREs estaduais, e o ChatVote, assistente virtual que responde dúvidas em linguagem natural na página do tribunal.
O que muda no domingo — e o que não muda
A logística repete o esquema do primeiro turno: 158 milhões de eleitores, urnas eletrônicas auditadas, zerésima emitida antes da votação. A novidade está na disputa: apenas dois nomes para presidente, o que costuma reduzir brancos e nulos. Nos seis estados com segundo turno para governador, a dinâmica é idêntica.
O ministro reforçou que a estrutura de segurança — policiais federais, militares e guardas municipais — estará “novamente mobilizada em todo o território nacional” para garantir “o mesmo clima de tranquilidade e respeito”. A conferência dos sistemas e a emissão da zerésima já foram concluídas.
O que observar a partir das 17h de domingo
O primeiro boletim de urna sai minutos após o fechamento das seções. A apuração é pública: qualquer pessoa pode acompanhar a totalização no site do TSE ou no aplicativo Resultados. Fique atento a três sinais de normalidade:
- Percentual de urnas totalizadas subindo de forma constante
- Ausência de paralisações prolongadas sem explicação oficial
- Coerência entre boletins impressos nas seções e dados publicados
Se algo parecer fora do padrão, o canal oficial é a Ouvidoria do TSE — não grupos de WhatsApp. O ministro encerrou com uma frase que vale levar para a cabine: “O voto é a melhor expressão dos direitos e deveres inerentes à cidadania. É direito pessoal e intransferível.”
Leve a cola com os números. Confira o local antes de sair. Desconfie do áudio alarmista que chegou agora à noite. O resto é consequência.
