Internacional

The Economist chama Lula de “gigante” e traça paralelo surpreendente com Flávio Dino

Lula e Flávio Dino em destaque na capa da The Economist sobre política brasileira
The Economist destaca Lula como gigante latino-americano e traça paralelo com Flávio Dino.

A revista britânica The Economist classificou Luiz Inácio Lula da Silva como “um gigante da política latino-americana” em sua mais recente análise sobre o cenário brasileiro. A publicação sugere que a eventual candidatura à reeleição em 2026 teria como motivação central a preservação do legado construído ao longo de décadas.

O que chama atenção, porém, é o tratamento dispensado a Flávio Dino, atual ministro da Justiça e ex-governador do Maranhão. A revista traça um paralelo direto entre a trajetória do ministro e a do presidente, sugerindo uma continuidade política que poucos esperavam ver explicitada na imprensa internacional.

O peso da avaliação externa

O monitor de pesquisas da The Economist não costuma distribuir elogios gratuitos. Quando a publicação usa o termo “gigante”, está se referindo à capacidade de Lula sobreviver a ciclos de alta e baixa popularidade, processos judiciais e mudanças radicais no cenário partidário brasileiro.

A análise aponta que o presidente chega a 2025 com uma base de apoio ainda relevante, embora fragmentada. O desafio, segundo a revista, não é apenas eleitoral: é manter coesa uma aliança que vai do PT ao centrão, passando por setores do empresariado e movimentos sociais.

Flávio Dino: o “herdeiro” inesperado

O trecho mais comentado da reportagem compara a ascensão de Flávio Dino à do próprio Lula nas décadas de 1980 e 1990. A revista destaca:

  • Origem em estado do Nordeste com historico de oligarquias locais
  • Construção de base política via movimentos sociais e sindicais
  • Discurso que combina pragmatismo institucional com retórica de esquerda
  • Capacidade de dialogar com setores conservadores sem romper com a base

Para analistas ouvidos pela publicação, Dino representa o perfil de liderança que o lulismo precisará para sobreviver além da figura do fundador.

Os números por trás da narrativa

Dados do Datafolha de dezembro mostram Lula com 35% de aprovação “ótima/bom” — patamar semelhante ao de Dilma Rousseff em 2013, ano anterior à reeleição. Já a reprovação oscila em torno de 30%, o que indica um eleitorado polarizado, mas não fechado a mudanças.

No caso de Dino, pesquisas qualitativas encomendadas por partidos da base indicam reconhecimento de nome ainda baixo fora do eixo Nordeste-Sudeste, mas avaliação positiva entre formadores de opinião e eleitores de centro-esquerda.

O que está em jogo em 2026

A reportagem da The Economist não crava cenários, mas desenha três variáveis decisivas para os próximos 18 meses:

  • Desempenho da economia — inflação controlada e crescimento acima de 2% fortalecem a tese da reeleição
  • Judicialização da política — eventuais processos contra aliados ou o próprio presidente alteram o tabuleiro
  • Unidade da oposição — fragmentação entre bolsonaristas, centro-direita e “terceira via” beneficia o incumbente

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor: a definição de quem liderará o campo progressista caso Lula decida não concorrer.

O que observar daqui para frente

Agenda internacional de Lula nos primeiros meses de 2025 — com viagens à China, União Africana e Cúpula do G20 — servirá como termômetro. Cada discurso, cada reunião bilateral, cada gesto simbólico será lido como ensaio de campanha ou passagem de bastão.

Já Flávio Dino terá como teste imediato a condução do Ministério da Justiça em temas sensíveis: segurança pública, regulação de plataformas digitais e relação com o Supremo. Seu desempenho nesses arquivos pode confirmar — ou desmentir — o rótulo de “gigante em formação” que a imprensa internacional acabou de lhe atribuir.