Suzana Muterle Viccini transformou uma propriedade familiar no Oeste da Bahia em referência nacional de tecnologia no agro — e acabou nas páginas da Forbes. Aos 30 anos de estrada, ela trocou o manejo tradicional por drones e agricultura de precisão.
O que leva uma produtora consolidada a arriscar tudo em inovação quando o modelo antigo ainda dá lucro? A resposta está nos números que ela carrega no bolso.
A virada que começou no escritório
Antes de assumir a gestão, Suzana atuou na área administrativa do negócio. Conhecia as planilhas, mas não o cheiro da terra. Quando a sucessão bateu à porta, ela não herdou apenas hectares — herdou a missão de profissionalizar a operação.
O primeiro passo foi mapear cada talhão com sensores. O segundo, substituir parte da química por bioinsumos. O terceiro, colocar drones no ar para monitorar pragas e nutrir lavouras com precisão cirúrgica.
Tecnologia que paga a conta
A adoção de agricultura de precisão reduziu o desperdício de insumos em quase 20% na safra seguinte. Drones equipados com câmeras multiespectrais detectam falhas de plantio e estresse hídrico antes que o olho humano perceba.
Bioinsumos entraram no pacote para atacar nematoides e doenças de solo. Resultado: menor dependência de defensivos sintéticos e solo mais vivo. A conta fecha — e o meio ambiente agradece.
- Redução de insumos: ~20% na primeira safra de precisão
- Área monitorada por drones: 100% dos talhões produtivos
- Tempo de transição: 3 ciclos completos
O efeito nos vizinhos e no mercado
Produtores da região começaram a visitar a fazenda para entender o modelo. Cooperativas locais passaram a oferecer treinamento em pilotagem de drones e análise de dados. O que era exceção virou benchmark.
Mas o impacto mais relevante aparece na cadeia de valor. Indústrias de bioinsumos ampliaram a distribuição no Oeste baiano. Startups de agtech testam soluções na propriedade antes de escalar.
O que observar daqui para frente
A próxima safra trará a integração total: dados de solo, clima e satélite alimentando um único painel de decisão. Suzana já negocia com plataformas de inteligência artificial para prever janelas de plantio e colheita com margem de erro inferior a três dias.
Para quem acompanha o agro, o recado é claro: a transição tecnológica não é mais opcional — é variável de competitividade. A fazenda que hoje serve de vitrine pode, amanhã, ditar o preço da soja na região. Fique de olho nos editais de fomento à agricultura de precisão no Matopiba; eles tendem a replicar esse modelo.
