Economia

Dólar fura R$ 5 e real brilha: o que explica a virada às vésperas da eleição

Gráfico mostra dólar abaixo de R$ 5 com bandeira do Brasil e barris de petróleo ao fundo
Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde outubro às vésperas do segundo turno

O dólar fechou a sexta-feira (23) cotado a R$ 4,993, primeira vez abaixo de R$ 5 desde 9 de outubro. A moeda americana recuou 1,58% na semana, enquanto o Ibovespa avançou 0,47% no dia, mas encerrou o período com leve queda de 0,17%.

O movimento ocorre no último pregão antes do segundo turno presidencial, com investidores reposicionando carteiras. Mas há um fator externo pesando mais que a política doméstica: o petróleo disparou mais de 3%, atingindo o maior nível desde abril.

Por que o real liderou ganhos globais

Mesmo com o índice DXY — que mede o dólar frente a pares fortes — subindo 0,19% para 101,799 pontos, o real foi a divisa que mais se valorizou entre as principais economias. A explicação está no fluxo: estrangeiros voltaram a comprar ativos brasileiros, atraídos pelo carry trade e pela melhora nos termos de troca.

Na semana anterior, a moeda americana havia subido 1,77%. A reversão completa em cinco dias sinaliza apetite por risco seletivo, não fuga generalizada do dólar.

O efeito petróleo na conta corrente

O barril Brent fechou a US$ 116,72 (+3,13%) e o WTI a US$ 103,27 (+3,82%). Na semana, as altas acumulam 6,24% e 4,29%, respectivamente. Para o Brasil, exportador líquido de petróleo, a equação é favorável:

  • Receita cambial aumenta com exportações mais caras
  • Termos de troca melhoram, aliviando pressão no câmbio
  • Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3) puxaram alta do Ibovespa

O gatilho foi geopolítico: Irã ameaçou retaliar eventuais ataques de EUA e Israel contra bases no Golfo Pérsico, enquanto houthis e Arábia Saudita intensificam confrontos. O Departamento de Energia americano autorizou uso da reserva estratégica para conter volatilidade.

Bolsa: o que o acumulado esconde

O Ibovespa fechou aos 205.082,56 pontos com volume de R$ 30,7 bilhões. A semana negativa (-0,17%) mascara dois movimentos distintos: saída defensiva nos primeiros dias e retorno comprador na sexta, concentrado em commodities.

No mês, o índice sobe 10,06%. No ano, a valorização chega a 27,28% — performance que coloca o Brasil entre os melhores mercados globais em 2026, apesar do ruído eleitoral.

Cenários para a próxima semana

Três variáveis vão ditar o ritmo a partir de segunda-feira (26):

  • Resultado das urnas: definição do segundo turno remove incerteza binária
  • Desdobramento no Oriente Médio: qualquer interrupção real de oferta leva Brent acima de US$ 120
  • Fluxo estrangeiro: manutenção de entrada líquida sustenta real abaixo de R$ 5

O nível de R$ 4,985 — mínima de 9 de outubro — vira suporte técnico imediato. Rompimento abre espaço para testar R$ 4,95, região que não era vista desde agosto.

O que observar daqui pra frente

Com a eleição definida, o foco migra para a transição fiscal e a sinalização do próximo ministro da Fazenda sobre arcabouço de gastos. No externo, a ata do Fed (quarta-feira) e o payroll (sexta) calibram expectativas de juros nos EUA. O real segue exposto a choques de petróleo, mas carrega colchão de carrego que poucos emergentes oferecem hoje. Quem opera câmbio ou bolsa deve monitorar o diferencial de juros reais — ele continua sendo o âncora do fluxo.