Justiça

Abstenção recorde e transporte grátis: o que muda no 2º turno em Ribeirão e Franca

Eleitores em fila para votar no 2º turno em Ribeirão Preto, com ônibus de transporte gratuito ao fundo
Eleitores aguardam para votar no 2º turno; Justiça Eleitoral ofereceu transporte gratuito para reduzir abstenção

Mais de 1,8 milhão de eleitores voltam às urnas neste domingo (25) na região de Ribeirão Preto e Franca para decidir a presidência da República. O comparecimento será o termômetro político que o mercado acompanha de perto — e a logística montada para garantir a votação revela mais do que parece.

No primeiro turno, a ausência superou a média nacional em 1,36 ponto percentual. Entender por que isso aconteceu e como a Justiça Eleitoral tenta reverter o cenário pode antecipar movimentos no cenário local nos próximos meses.

O número que assusta os analistas

Dos 1,8 milhão de aptos a votar nos 66 municípios, 410 mil ficaram em casa em 4 de outubro. O índice de 22,4% coloca a região acima dos 21,04% registrados no país inteiro. Em Ribeirão Preto, 112 mil eleitores deixaram de comparecer; em Franca, foram quase 52 mil.

Para investidores e gestores públicos, a abstenção não é apenas um dado estatístico. Ela sinaliza desengajamento cívico que costuma se correlacionar com menor fiscalização de contratos públicos, menor pressão por transparência e, no limite, maior risco institucional.

Tempestade, urnas quebradas e detenções: o caos operacional

O primeiro turno não foi marcado só pela ausência. Chuvas fortes derrubaram energia em Barrinha e atrasaram a abertura de seções em Guariba. Em Jaboticabal, uma queda de árvore matou um motorista no distrito de Córrego Rico.

A Justiça Eleitoral precisou substituir oito urnas em nove municípios por falhas técnicas. Pelo menos dez pessoas foram detidas por crimes eleitorais — compra de votos, boca de urna e descarte irregular de material de campanha.

Esses incidentes forçaram ajustes para o segundo turno. A boa notícia: nenhum local de votação foi alterado.

Tarifa zero e operação especial: a logística do dia 25

A Prefeitura de Ribeirão Preto decretou gratuidade no transporte coletivo urbano das 8h às 17h. A medida segue resolução do TSE e vale para todos os passageiros — quem tem o Cartão Nosso valida na catraca sem cobrança; quem não tem, embarca com liberação do motorista.

Frotas circularão em nível de dia útil. A RP Mobi montou operação especial na Nova Ribeirânia para garantir o transporte seguro das urnas até a nova sede do Cartório Eleitoral.

  • Transporte gratuito: 8h às 17h, frota de dia útil
  • Locais de votação: inalterados em relação ao 1º turno
  • Segurança: escolta das urnas na Nova Ribeirânia

Quem vota, como vota e o que levar

O voto é obrigatório para alfabetizados entre 18 e 70 anos. Facultativo para 16 e 17 anos, maiores de 70 e analfabetos. Título cancelado ou suspenso impede a participação.

Ponto crucial: quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo. A Justiça Eleitoral trata cada turno como pleito independente — basta ter o título regular.

Na urna, apenas dois dígitos para presidente. Confira foto, nome e partido antes de confirmar. “Colinha” de papel é permitida.

Documentos aceitos (e os que não valem)

Obrigatório: documento oficial com foto, mesmo vencido, desde que permita identificação. Valem: RG, CNH, passaporte, certificado de reservista, carteira de trabalho física, carteiras de classe (OAB, CRM, CREA) e e-Título com foto (exigido para quem tem biometria cadastrada).

Não servem: certidões de nascimento ou casamento (sem foto), carteira de trabalho digital (sem foto). Título de eleitor em papel não é obrigatório.

Sem biometria? Vota normalmente com título regular e documento com foto. Dados biométricos integrados por acordos interinstitucionais também habilitam o eleitor na urna.

O que é crime e o que é direito no dia da eleição

Proibido: entrar na cabine com celular, câmera, filmadora, óculos inteligentes ou qualquer dispositivo que viole o sigilo. Aparelho deve ficar desligado sobre a mesa dos mesários. Compra de votos, descarte de santinhos e aglomeração com roupas padronizadas configuram crime. Boca de urna — propaganda no dia da eleição perto das seções — é ilegal.

Permitido: manifestação individual e silenciosa — camisetas, broches, adesivos e dísticos de candidatos ou partidos.

Como descobrir sua seção e o voto em trânsito

Três canais oficiais: aplicativo e-Título (aba “Onde votar”), autoatendimento no site do TRE-SP ou TSE, e assistente virtual Lina no WhatsApp (11) 3130-2200 ou telefone 148.

Voto em trânsito só vale para quem pediu transferência temporária dentro do prazo. Quem solicitou para os dois turnos vota no local escolhido; quem pediu só para o primeiro volta ao domicílio original. Sem pedido prévio, não vota — precisa justificar.

Justificativa: prazos diferentes para cada turno

No dia da eleição: das 8h às 17h pelo e-Título (geolocalização comprova que está fora do domicílio) ou Requerimento de Justificativa Eleitoral impresso em qualquer mesa receptora.

Após a eleição: prazo até 8 de janeiro para o segundo turno (e-Título ou Autoatendimento Eleitoral no site do TSE, com comprovantes). Para o primeiro turno, o prazo já encerrou em 3 de dezembro.

O que observar daqui para frente

O comparecimento deste domingo dirá se a região corrige a anomalia do primeiro turno ou consolida um padrão de desengajamento. Para quem acompanha o ambiente de negócios local, três variáveis merecem monitoramento nas próximas semanas: a taxa final de abstenção comparada à média paulista, eventuais questionamentos judiciais sobre urnas substituídas e a repercussão das detenções por crimes eleitorais na percepção de risco institucional. O dado bruto das urnas, quando cruzado com indicadores socioeconômicos por município, tende a revelar bolsões de vulnerabilidade política que impactam diretamente a previsibilidade regulatória e a atratividade de investimentos de longo prazo na região.