O senador Flávio Bolsonaro (PL) esteve com Jair Bolsonaro na manhã desta quinta-feira (22), no condomínio Solar de Brasília, onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. O encontro durou cerca de uma hora e aconteceu a menos de 48 horas do último debate televisionado contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na TV Globo.
Flávio deixou o local sem falar com a imprensa. A visita é a terceira desde o fim de um bloqueio de 90 dias imposto pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que restringiu o acesso ao ex-mandatário.
O peso de uma visita silenciosa
Não houve declarações, fotos oficiais ou recados públicos. Ainda assim, o gesto carrega simbolismo político forte. O ex-presidente foi condenado em 2025 a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e está detido desde agosto do ano passado.
Para a campanha do filho, que disputa a Presidência pelo PL, a ida ao pai funciona como aceno à base mais fiel. É um lembrete visual de lealdade familiar em momento de máxima exposição.
Agenda do candidato: Brasília e uma live à noite
Segundo a agenda oficial, Flávio permanece na capital federal durante o dia sem compromissos públicos. Às 19h, ele comanda uma transmissão ao vivo — oportunidade para transformar a visita matinal em conteúdo de campanha.
O debate de sexta-feira (23) é o último confronto direto antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Pesquisas recentes mostram cenário apertado: a rejeição a Flávio atinge 52%, segundo Quaest, enquanto a de Lula recuou para 47%.
O que muda com esse encontro?
- Reforça narrativa de perseguição política junto ao eleitorado bolsonarista
- Gera material para redes sociais nas horas finais de campanha
- Pode mobilizar doações e voluntariado de última hora
Mas o efeito prático nas urnas segue incerto. O eleitorado de centro — decisivo no segundo turno — costuma reagir mal a sinais de radicalização.
O que observar daqui para frente
A live das 19h será o termômetro imediato: tom de voz, temas escolhidos e menção (ou não) à visita dirão se a campanha aposta no emocional ou tenta virar para propostas. No domingo, a votação encerra um ciclo — mas a influência do ex-presidente sobre o espectro político brasileiro não termina na urna.
