Economia

Você não vai acreditar no radar de hoje: Bradesco, Braskem e Raízen…

Colagem financeira com logos do Bradesco, Braskem e Raízen sobre gráficos de ações e símbolos de balanço patrimonial
Principais destaques do mercado: Bradesco, Braskem e Raízen movimentam o pregão de 22 de outubro.

O dia 22 de outubro chegou com uma enxurrada de fatos relevantes capazes de mexer com a carteira de qualquer investidor. O Bradesco divulga seu balanço após o fechamento, mas a BradSaúde já entregou lucro recorde no trimestre. Enquanto isso, uma subsidiária da Braskem entra em Chapter 11 nos EUA e a Raízen pede R$ 3,5 bilhões aos acionistas.

Saúde e bancos: lucro na veia e expectativa para o fechamento

A BradSaúde (SAUD3) abriu a temporada de resultados do setor com o pé direito. O lucro líquido saltou 14,4% no terceiro trimestre de 2026, atingindo R$ 1,075 bilhão. Desse total, R$ 857 milhões vieram dos planos de saúde e R$ 145 milhões da Odontoprev, embora a soma das operações não feche o consolidado.

Atenção agora se volta para o Bradesco (BBDC4). O banco reporta números depois que o pregão ends. O mercado precifica a continuidade da melhora na qualidade do crédito, mas o guidance para 2027 deve ditar o humor das ações amanhã.

O terremoto na Braskem: credores acionam a Justiça americana

O fato mais sensível da sessão vem do exterior. Três credores protocolaram pedido involuntário de recuperação judicial (Chapter 11) contra a Braskem America Finance Company, subsidiária indireta da Braskem (BRKM5).

O movimento expõe o passivo em dólares da petroquímica em um momento de caixa pressionado. Paralelamente, a NSP Investimentos — já em recuperação judicial — reduziu sua fatia nas preferenciais classe A para menos de 5%, vendendo os 7,15 milhões de papéis que detinha em 19 de outubro.

Raízen pede R$ 3,5 bi: reforço de caixa ou sinal de alerta?

A Raízen (RAIZ4) propôs aumento de capital de R$ 3,5 bilhões. A operação visa fortalecer a estrutura de capital e alongar dívidas, mas dilui quem não acompanhar a subscrição. O preço por ação e a data da assembleia ainda serão definidos, tornando esse o principal gatilho de volatilidade para o papel nas próximas semanas.

Dança das cadeiras: grandes gestores mexem nas posições

O radar de participações relevantes ferveu nesta quinta. Confira quem entrou e quem saiu:

  • Equatorial (EQTL3): Canada Pension Plan (CPPIB) caiu para menos de 5% do capital.
  • Cyrela (CYRE3): Kapitalo elevou aposta para acima de 5% nas preferenciais.
  • Ambev (ABEV3): Itaú Unibanco assume a depositária das ações escriturais no lugar do Bradesco a partir de 23 de novembro.

Esses movimentos sinalizam realocação de portfólio por parte de “dinheiro esperto”, muitas vezes antecipando gatilhos de valor ou risco.

Aquisições, sucessão e funding barato

A M. Dias Branco (MDIA3) oficializou a compra de 80% da Grespan Pães Congelados via Jasmine por R$ 208,4 milhões, pagamento à vista no fechamento. A Eneva (ENEV3) vendeu a UTE Itaqui e consolidou 100% da Porto do Pecém, blindando seu Hub Ceará.

Na WEG (WEGE3), a sucessão na vice-presidência de Energia está desenhada: João Paulo Gualberto sai em 31 de dezembro após 37 anos; Paulo Leonardo Sinoti assume em 1º de janeiro de 2027. Já o Banco BMG (BMGB4) captou R$ 426 milhões em Letras Financeiras com os menores prêmios da história da instituição: CDI + 1,15% (2 anos) e CDI + 1,25% (3 anos).

Dividendos na conta e transparência nova na Suzano

A BrasilAgro (AGRO3) deposita R$ 30 milhões em dividendos intermediários (R$ 0,3012/ação) a partir de 16 de novembro, com base na posição de 21 de outubro. As ações já negociam ex desde ontem.

Outro destaque estrutural: a Suzano (SUZB3) passará a reportar a divisão de Bens de Consumo separadamente do segmento de Papel e Embalagem já no 3T26. A mudança traz visibilidade para a margem do negócio de tissue e higiene, setor com dinâmica de preços distinta da celulose.

Westwing: conselho rejeita redução de capital e expõe racha

Fechando o radar, a Westwing (WEST3) recomendou a recusa da proposta de redução de capital feita pelo fundo Oriz Albright. Dois conselheiros se abstiveram e registraram discordância formal, evidenciando divergências internas sobre a alocação de capital da varejista.

O que observar daqui para frente

A reação do Bradesco amanhã dita o tom dos bancos. Na Braskem, o desdobramento do Chapter 11 nos EUA pode forçar provisionamentos ou reestruturação da dívida da controlada. Quem tem Raízen deve calcular o preço de subscrição do aumento de capital antes de decidir acompanhar. Por fim, a nova segmentação da Suzano oferece dados para precificar melhor o múltiplo da empresa a partir do próximo balanço.