Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que enviará ao Congresso uma PEC para tornar gratuito o transporte público nos fins de semana, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) reuniu astros do sertanejo em Goiás. A três dias do debate na TV Globo, a disputa pelo segundo turno ganha contornos de tudo ou nada.
O que muda se a PEC da Tarifa Zero avançar
Lula assina a proposta nesta quarta-feira (21). O texto aproveita a aprovação do fim da escala 6×1 — que garante um dia extra de folga — para bancar a gratuidade em ônibus, metrôs e trens aos sábados e domingos. A ideia é simples: se o trabalhador tem mais tempo livre, precisa de meios para usá-lo.
Em São Luís, o petista afirmou que este será seu último pleito. Prometeu universalizar o Pé-de-Meia no ensino médio e criar a versão universitária do benefício, hoje restrito a estudantes de escolas públicas. O programa, lançado em 2024, paga incentivo financeiro condicionado à frequência e conclusão dos estudos.
Abstenção recorde vira alvo estratégico
O primeiro turno registrou 33,4 milhões de ausentes — 21,08% do eleitorado. A campanha de Lula aposta na mobilização desse contingente para virar o jogo. Durante ato que cruzou a Ponte Presidente Dutra, ligando Juazeiro (BA) a Petrolina (PE), o candidato pediu que eleitores busquem quem não votou, inclusive idosos acima de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
- 33,4 milhões de eleitores não compareceram no 1º turno
- 21,08% de abstenção — maior índice da série histórica
- Foco em idosos e eleitores de regiões onde Lula liderou no 1º turno
O desafio do sigilo e o debate de sexta
No debate da Band, Lula propôs abertura mútua de sigilos bancário, telefônico e familiares. Reiterou o compromisso em São Luís e condicionou a presença de Flávio no debate da Globo (sexta, 23) à aceitação do desafio. Até o momento, a campanha do PL não respondeu publicamente.
Flávio Bolsonaro aposta no “todo mundo quer mudança”
Em Goiânia, o candidato do PL reuniu Gusttavo Lima, Zezé di Camargo e outros nomes do sertanejo. Gravou vídeo na casa do primeiro, falando em “coração aberto” e dedicação a “quem precisa”. Citou medo nas ruas, endividamento das famílias, impostos altos e dificuldade de acesso a shows como provas de que o país precisa de rota diferente.
“Hoje não é mais esquerda e direita, hoje é todo mundo querendo mudança”, resumiu. A fala tenta descolar a candidatura do bolsonarismo raiz e atrair o eleitor de centro insatisfeito com a economia.
Segurança e custo de vida no centro do discurso
Flávio elencou três dores imediatas: violência urbana, juros reais que mantêm famílias no vermelho e carga tributária que encarece lazer e consumo. Não detalhou propostas, mas sinalizou que o programa de governo será apresentado como “de mudança” — rótulo testado em pesquisas internas como o de maior aderência entre indecisos.
O que observar nos próximos dias
Três variáveis devem ditar o ritmo até o dia 26: a adesão parlamentar à PEC da Tarifa Zero (sinal de governabilidade), a resposta de Flávio ao desafio dos sigilos (impacto no debate de sexta) e a taxa de comparecimento nas urnas — especialmente no Nordeste, onde a abstenção foi acima da média nacional. Cada ponto percentual a mais de presença equivale a cerca de 1,6 milhão de votos em disputa.
