Economia

Carrefour perde R$ 1 bi com saques: o segredo por trás da queda de 17%

Lojas Carrefour depredadas e saqueadas na França durante distúrbios noturnos
Cerca de 50 lojas e 19 supermercados Carrefour foram invadidos nos distúrbios do fim de semana na França.

O Carrefour acaba de cortar sua projeção de lucro operacional em até R$ 1,13 bilhão após uma onda de saques na França. O pior: o quarto trimestre, vital para o varejo, pode ter 60% do resultado comprometido justamente no período natalino.

O tamanho do rombo nas contas

Cerca de 50 lojas e 19 supermercados foram invadidos nos distúrbios do fim de semana. O presidente Alexandre Bompard classificou os atos como “delinquência”, desvinculados de reivindicações por poder de compra.

A conta final oscila entre 80 milhões e 200 milhões de euros. Em reais, o intervalo vai de R$ 451 milhões a R$ 1,13 bilhão a menos no resultado operacional anual.

Para segurar as pontas, a rede anunciou corte de 100 milhões de euros (R$ 564 milhões) nos investimentos previstos para a França até dezembro.

Por que o Natal virou pesadelo

Analistas da Jefferies alertam: o prejuízo pode engolir até 60% do lucro operacional do último trimestre. É exatamente quando as festas de fim de ano costumam garantir a rentabilidade do ano todo.

“Estávamos no caminho certo para alcançar nossos objetivos”, admitiu Bompard. “A deterioração das condições sociais e de segurança nos obrigou a dizer ao mercado que já não éramos capazes de atingir nossas metas.”

A margem operacional esperada para 2024 caiu de “pelo menos 0,25%” para uma faixa entre 0% e 0,15%.

O golpe duplo: saques e ataque cibernético

Os tumultos são o segundo choque extraordinário em semanas. Dias antes, um ataque hacker derrubou sistemas de refrigeração em centenas de unidades, estragando estoques e queimando equipamentos.

A combinação eleva custos operacionais num momento em que a confiança do consumidor francês já cambaleava com a alta da energia.

  • Queda das ações: -17,77% em um dia, para 13,84 euros (R$ 78,04).
  • Faturamento Q3: +3,9% (22,7 bi euros), mostrando que o core business ia bem.
  • Vendas comparáveis: +2,3% no trimestre, puxadas pelo internacional.

O que o investidor deve monitorar agora

O guidance rebaixado sinaliza que a gestão prioriza caixa sobre expansão no curto prazo. A recuperação da margem no quarto trimestre depende, agora, de dois fatores fora do controle direto da empresa: a estabilidade social na França e a ausência de novos incidentes cibernéticos.

O mercado precificou o choque imediato, mas a revisão de capex sugere que o impacto no fluxo de caixa livre pode se estender para 2025. Quem acompanha o setor deve observar se concorrentes como Leclerc ou Intermarché reportarão danos similares — o que transformaria o evento em risco sistêmico para o varejo alimentar europeu.