Economia

ARC Capital estreia na Europa com data center de R$ 609 mi e mira R$ 2,8 bi em 18 meses

A gestora brasileira ARC Capital acaba de fechar a primeira aquisição de sua plataforma europeia: um data center de 9,7 megawatts na Suíça, por 100 milhões de francos suíços — o equivalente a cerca de R$ 609 milhões. O ativo fica ao lado do aeroporto de Genebra e a poucos quilômetros do CERN, o maior laboratório de física de partículas do mundo.

Mas o tamanho do cheque é apenas a ponta do iceberg. A operação revela como a ARC pretende replicar no Velho Continente o modelo que a consolidou no Brasil: capital próprio na largada, coinvestidores na sequência e velocidade de execução que os grandes fundos estruturados não conseguem igualar.

Como a conta fecha: 40% do equity, zero poeira e inquilino a caminho

A ARC já desembolsou 65 milhões de francos. Desse total, 10 milhões saíram do bolso da gestora (equity) e 55 milhões vieram de dívida. Os 35 milhões restantes também serão captados via dívida. Quando a rodada de coinvestimento fechar, a ARC deve ficar com aproximadamente 40% do equity final.

O data center tem licença para expandir até 20 MW. No passado, foi operado pela IBM e depois vendido a uma família suíça que manteve a instalação impecável — “não tinha nem poeira”, nas palavras de Vinícius Senger, sócio responsável pela expansão europeia. O contrato com o novo ocupante está em fase final de negociação.

A transação nasceu de uma parceria fechada no início do ano com a Gira Power, plataforma liderada por Wissam Anastas, ex-head de infraestrutura do Deutsche Bank. Ele entra com participação minoritária no equity e atua na originação de ativos e captação de clientes.

Quatro teses, uma holding e um pipeline de 450 negócios analisados

Senger está em Londres há quase dois anos. Nesse período, o time local de sete pessoas passou a pente-fino mais de 450 oportunidades em 20 países. O resultado são quatro teses de investimento definidas:

  • Data centers de médio e grande porte — a primeira já concretizada;
  • NAV finance — crédito a outras gestoras com garantia nos ativos dos fundos;
  • Defesa — capital de giro para empresas com contratos governamentais (rating AAA) que bancos locais se recusam a financiar;
  • Sniper shot — operações de curto prazo disparadas por gatilhos específicos, fora do perfil das demais teses.

Os próximos quatro data centers já estão em negociação avançada e entrarão na mesma holding. A aquisição na Alemanha deve sair ainda este ano. Noruega, França e Suécia ficam para o primeiro trimestre de 2027.

O diferencial não é capital — é flexibilidade e relógio

“Não falta capital na Europa. Falta flexibilidade”, resume Senger. Enquanto os grandes grupos de operações estruturadas só olham para tickets bilionários, a ARC consegue aprovar e desembolsar em quatro ou cinco dias. Essa agilidade abre portas em situações onde o tempo é o ativo mais escasso — reestruturações, carve-outs corporativos, financiamentos-ponte.

Na tese de defesa, por exemplo, a ARC entra com invoice finance para fornecedores de governos AAA que não conseguem capital de giro porque seus bancos nacionais não financiam operações fora de suas fronteiras. É um nicho que cresce junto com o rearme europeu.

O que observar daqui para frente: 500 milhões de euros em jogo

Até meados de 2025, a ARC projeta investir cerca de 500 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) considerando as tratativas mais avançadas. Desse montante, aproximadamente 150 milhões de euros devem ir para a tese de defesa. O restante se divide entre NAV finance e data centers.

Para o investidor ou empresário que acompanha o movimento de capital brasileiro no exterior, o sinal é claro: a internacionalização da ARC não é um teste. É uma plataforma com teses definidas, parcerias locais fechadas, pipeline volumoso e um relógio que corre mais rápido que o dos concorrentes tradicionais. O próximo trimestre dirá se a execução mantém o ritmo da estreia.