Educação

App do Amapá leva prata em maior evento de edtech da América Latina e revoluciona inclusão

Equipe do Ifap Amapá celebra prêmio de segundo lugar no CBIE 2024 com app Conectar para autismo
Estudantes do Ifap Amapá conquistam prata no maior evento de edtech da América Latina com app inclusivo.

Estudantes do Instituto Federal do Amapá (Ifap) conquistaram o segundo lugar no 15º Congresso Brasileiro de Informática na Educação (CBIE) com o aplicativo Conectar, ferramenta que usa inteligência artificial para apoiar a aprendizagem de crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A premiação coloca um projeto nascido em salas de aula do Norte do país no radar das principais referências em tecnologia educacional do continente.

O que torna o Conectar diferente das demais soluções

Desenvolvido desde 2023 por alunos, técnicos e professores do Ifap, o aplicativo combina recursos interativos e IA para estimular leitura, escrita e organização de rotinas personalizadas. A interface apresenta categorias de pastas com imagens e descrições sonoras — ao tocar uma figura, o usuário ouve a informação correspondente.

Segundo a estudante Laís Rosa, integrante do projeto, o estímulo auditivo mostrou eficácia tanto para crianças verbais quanto não verbais durante testes em escolas da rede estadual. A plataforma também incorpora músicas geradas por IA para regulação emocional e jogos que trabalham reconhecimento de padrões e interação social.

  • Categoria: Protótipos de aplicativos (52 inscritos)
  • Público-alvo: Crianças e jovens com TEA, deficiência visual e deficiência intelectual
  • Recursos-chave: IA generativa, áudio descritivo, gamificação, painel de acompanhamento
  • Escolas-piloto: Mãe Angélica e Professora Nancy (Zona Sul de Macapá)

Impacto direto na rotina de famílias e escolas

O coordenador Klessis Lopes destaca que a validação no CBIE — considerado o maior evento de informática na educação da América Latina — coroou três anos de trabalho focado em inclusão digital real. “Não é apenas um aplicativo; é uma ponte entre escola, família e rede de apoio terapêutico”, afirma.

A plataforma permite que pais e responsáveis acompanhem o desenvolvimento diário dos estudantes. Clínicas e entidades parceiras também recebem dados estruturados para subsidiar terapias e intervenções personalizadas. Essa camada de governança de dados transforma o app em ferramenta de gestão, não só de apoio pedagógico.

Por que o reconhecimento nacional muda o jogo

O segundo lugar entre 52 propostas sinaliza maturidade técnica e relevância social. Para gestores públicos e investidores em edtech, o caso demonstra que soluções de alto impacto podem surgir fora dos grandes polos tecnológicos do Sudeste — desde que haja integração entre pesquisa aplicada, vivência escolar e escuta ativa das famílias.

A estudante Thielly Guedes resume a recepção nas salas de aula: “O aplicativo desperta curiosidade, e a curiosidade move a vontade de aprender”. Esse engajamento orgânico é o ativo mais valioso para qualquer produto educacional escalável.

O que observar daqui para frente

O próximo passo natural é a expansão para mais escolas da rede estadual e municipal, além da busca por parcerias que viabilizem versão multiplataforma (hoje o foco é Android). Acompanhe: editais de fomento à inovação em educação especial, chamadas do MEC para tecnologias assistivas e movimentos de secretarias estaduais por aquisição de soluções validadas em ambiente real. O Conectar deixou de ser protótipo — agora é caso de política pública.