Estudantes do Instituto Federal do Amapá (Ifap) conquistaram o segundo lugar no 15º Congresso Brasileiro de Informática na Educação (CBIE) com o aplicativo Conectar, ferramenta que usa inteligência artificial para apoiar a aprendizagem de crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A premiação coloca um projeto nascido em salas de aula do Norte do país no radar das principais referências em tecnologia educacional do continente.
O que torna o Conectar diferente das demais soluções
Desenvolvido desde 2023 por alunos, técnicos e professores do Ifap, o aplicativo combina recursos interativos e IA para estimular leitura, escrita e organização de rotinas personalizadas. A interface apresenta categorias de pastas com imagens e descrições sonoras — ao tocar uma figura, o usuário ouve a informação correspondente.
Segundo a estudante Laís Rosa, integrante do projeto, o estímulo auditivo mostrou eficácia tanto para crianças verbais quanto não verbais durante testes em escolas da rede estadual. A plataforma também incorpora músicas geradas por IA para regulação emocional e jogos que trabalham reconhecimento de padrões e interação social.
- Categoria: Protótipos de aplicativos (52 inscritos)
- Público-alvo: Crianças e jovens com TEA, deficiência visual e deficiência intelectual
- Recursos-chave: IA generativa, áudio descritivo, gamificação, painel de acompanhamento
- Escolas-piloto: Mãe Angélica e Professora Nancy (Zona Sul de Macapá)
Impacto direto na rotina de famílias e escolas
O coordenador Klessis Lopes destaca que a validação no CBIE — considerado o maior evento de informática na educação da América Latina — coroou três anos de trabalho focado em inclusão digital real. “Não é apenas um aplicativo; é uma ponte entre escola, família e rede de apoio terapêutico”, afirma.
A plataforma permite que pais e responsáveis acompanhem o desenvolvimento diário dos estudantes. Clínicas e entidades parceiras também recebem dados estruturados para subsidiar terapias e intervenções personalizadas. Essa camada de governança de dados transforma o app em ferramenta de gestão, não só de apoio pedagógico.
Por que o reconhecimento nacional muda o jogo
O segundo lugar entre 52 propostas sinaliza maturidade técnica e relevância social. Para gestores públicos e investidores em edtech, o caso demonstra que soluções de alto impacto podem surgir fora dos grandes polos tecnológicos do Sudeste — desde que haja integração entre pesquisa aplicada, vivência escolar e escuta ativa das famílias.
A estudante Thielly Guedes resume a recepção nas salas de aula: “O aplicativo desperta curiosidade, e a curiosidade move a vontade de aprender”. Esse engajamento orgânico é o ativo mais valioso para qualquer produto educacional escalável.
O que observar daqui para frente
O próximo passo natural é a expansão para mais escolas da rede estadual e municipal, além da busca por parcerias que viabilizem versão multiplataforma (hoje o foco é Android). Acompanhe: editais de fomento à inovação em educação especial, chamadas do MEC para tecnologias assistivas e movimentos de secretarias estaduais por aquisição de soluções validadas em ambiente real. O Conectar deixou de ser protótipo — agora é caso de política pública.
