Tecnologia

Anthropic fecha mega-acordo de US$ 45 bi e redefine o jogo dos data centers

Data center moderno com servidores de IA para expansão da Anthropic
Complexo Monarch na Virgínia Ocidental receberá investimento bilionário para infraestrutura de IA.

A Anthropic, dona do chatbot Claude, está prestes a assinar um contrato de até US$ 45 bilhões com a Nscale para expandir sua capacidade computacional no complexo Monarch, na Virgínia Ocidental. O valor impressiona, mas a verdadeira questão é: quanto mais infraestrutura a IA vai exigir antes de o modelo de financiamento quebrar?

A negociação, que pode ser concluída nos próximos dias, representa o segundo grande acordo entre as empresas. Juntos, os contratos já somam cerca de US$ 44,6 bilhões, segundo documentos do IPO da Nscale.

O que está por trás do complexo Monarch

O segundo prédio do campus Monarch terá capacidade para 460 megawatts alimentados pelos chips Vera Rubin, da Nvidia — a nova geração de processadores voltada para cargas massivas de IA. A Anthropic ainda garante direito de preferência sobre um terceiro edifício planejado para o mesmo terreno.

Quando concluído, o complexo poderá ultrapassar 8 gigawatts de capacidade elétrica bruta. Para efeito de comparação, isso equivale ao consumo de uma metrópole de médio porte.

Microsoft saiu, Anthropic entrou

Originalmente, a Microsoft havia assinado uma carta de intenções para ocupar parte do campus em março. No verão do hemisfério norte, a big tech desistiu do projeto, abrindo caminho para a Anthropic assumir a operação. A Bloomberg noticiou a troca à época.

Essa mudança de mãos ilustra a disputa silenciosa entre gigantes por energia e espaço físico — os novos gargalos da revolução generativa.

O apetite voraz da Anthropic por computação

A desenvolvedora do Claude tornou-se um dos principais motores de demanda por data centers de IA no mundo. Além do acordo com a Nscale, a empresa já fechou:

  • US$ 50 bilhões com a Fluidstack
  • US$ 10 bilhões com a startup Volta
  • US$ 45 bilhões com a SpaceX, de Elon Musk

Somados, os compromissos ultrapassam US$ 150 bilhões em capacidade futura — um número que expõe a escala do investimento necessário para manter modelos de fronteira competitivos.

IPO da Nscale e a pressão por valuation

O novo contrato bilionário fortalece o prospecto de IPO da Nscale, que busca uma avaliação de aproximadamente US$ 30 bilhões na bolsa americana. Investidores, no entanto, têm pressionado para reduzir essa meta, segundo reportagem anterior da Bloomberg.

A empresa entrou com pedido de listagem em setembro, mas ainda não iniciou o roadshow. Está respondendo a questionamentos da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA). No mês passado, levantou US$ 3,36 bilhões em rodada pré-IPO liderada pela Third Point, de Dan Loeb, com participação de Nvidia, Apollo Global Management, Citadel, Hudson Bay Capital e Abu Dhabi Investment Council.

O elefante na sala: dívida e sustentabilidade financeira

Investidores demonstram crescente preocupação com o volume de dívida usado para financiar a explosão de data centers de IA. O impacto já atinge ações de fabricantes de chips e títulos de dívida de provedores de nuvem.

A Anthropic, avaliada em US$ 61,5 bilhões em sua última rodada (maio de 2024), também é candidata a realizar seu próprio IPO nos próximos meses — potencialmente um dos maiores do setor nos últimos anos. Enquanto isso, a corrida por mais GPUs, mais energia, mais espaço não dá sinais de desaceleração.

O que observar daqui para frente

Três movimentos merecem atenção nas próximas semanas: a conclusão formal do contrato Nscale-Anthropic e seus termos definitivos; o desfecho do processo de IPO da Nscale e a valuation final aceita pelo mercado; e a eventual abertura de capital da própria Anthropic, que pode redefinir parâmetros de precificação para empresas de IA de fronteira. O custo de capital para infraestrutura pesada será o termômetro real da viabilidade desse ciclo.