Economia

O custo oculto dos festivais: 1 em cada 3 fãs entra no vermelho mesmo se planejando

Multidão em festival de música com gráficos de finanças pessoais sobrepostos mostrando endividamento
Pesquisa Serasa: 33% dos fãs se endividam em festivais mesmo com planejamento financeiro prévio

Pesquisa da Serasa revela que 83% dos frequentadores de shows se organizam financeiramente, mas um terço já contraiu dívidas para não ficar de fora. O problema não está no ingresso — está no que vem depois.

Os números expõem uma contradição: planejar não tem sido suficiente. Com a temporada de grandes eventos aquecida — Rock the Mountain, Afropunk, Primavera Sound e Festival Psica no calendário imediato —, o cenário tende a se repetir.

Onde o dinheiro some de verdade

Ingresso pesa, mas não é o vilão. Alimentação e bebidas lideram o ranking de gastos para 32% do público, superando a própria entrada (29%). Hospedagem (18%) e transporte (13%) completam a conta.

“Quando o planejamento se concentra no ingresso, o custo real deixa de ser contabilizado”, explica Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa. A conta final assusta: 52% gastaram mais de R$ 600 no último festival; um terço ultrapassou R$ 1.000.

O que o planejamento não cobre

Quase metade (45%) começa a juntar dinheiro de um a três meses antes. Mesmo assim:

  • 33% já mexeram na reserva de emergência
  • 14% deixaram de pagar conta básica para ir ao show
  • 39% se arrependeram de algum gasto depois do evento

Entre os arrependidos, 27% admitem: gastaram além do previsto. A euforia do momento cobra a fatura dias depois.

Calendário quente, orçamento frio

A pesquisa chega em momento estratégico. Outubro e novembro concentram festivais de grande porte:

  • Rock the Mountain — 30/10 a 8/11, Petrópolis (RJ)
  • Afropunk Brasil — 7 e 8/11, Salvador
  • Primavera Sound — 5 e 6/12, São Paulo
  • Festival Psica — 11 a 13/12, Belém

Para quem ainda não se programou, a janela de organização está fechando. O levantamento ouviu consumidores em parceria com o Mapa dos Festivais e o Instituto Opinion Box.

O que observar daqui pra frente

O padrão se repete: fãs subestimam custos periféricos e comprometem reservas que deveriam proteger imprevistos reais. A solução não é abrir mão dos shows — é tratar o festival como projeto financeiro completo, não como gasto único. Quem separa verba para alimentação, hospedagem e transporte antes de comprar o ingresso chega ao evento sem a ressaca financeira do dia seguinte.