O brasileiro André Vellozo assina um dos capítulos do novo livro de Brett King, “Bank 5.0”, que chega às livrarias globais em 19 de novembro. A tese central? Em poucos anos, os principais clientes dos bancos não serão mais pessoas — e sim agentes de inteligência artificial.
Vellozo, fundador da DrumWave, empresa com base no Vale do Silício e operação no Brasil, lidera a discussão sobre como você vai recuperar o controle dos próprios dados nessa nova economia.
O fim do cliente humano como conhecemos
King e seus coautores não fazem previsões brandas. Eles afirmam: a próxima grande reformulação do setor financeiro já começou. Com o avanço da IA generativa e de agentes autônomos, tarefas como negociação de empréstimos, gestão de portfólio e compras de seguros serão executadas por softwares que operam em milissegundos, 24 horas por dia, sem cansaço nem viés emocional.
O livro questiona abertamente se os bancos tradicionais têm estrutura para sobreviver a essa transição. A resposta curta: a maioria não tem.
Seu dado, seu ativo, sua receita
É aqui que entra o capítulo de Vellozo. Ele propõe uma infraestrutura nova: Data Wallets (carteiras de dados) e Data Savings (economia de dados). A ideia é simples, mas radical:
- O indivíduo passa a ser o dono legal e técnico dos próprios dados
- Cada uso autorizado por terceiros — bancos, seguradoras, varejistas — gera remuneração direta
- A certificação de origem e consentimento vira camada obrigatória em qualquer transação de IA
“À medida que os dados viram matéria-prima da economia algorítmica, quem os produz deve participar do valor gerado”, resume Vellozo.
O que a DrumWave já está construindo
A startup de Vellozo não espera o futuro chegar. A DrumWave desenvolve hoje a camada de certificação e valoração de dados para que agentes de IA possam “comprar” informações com lastro jurídico e rastreabilidade. A tecnologia já roda em ambiente de testes com parceiros financeiros no Brasil e nos EUA.
O modelo inverte a lógica atual: em vez de o banco capturar seu histórico de graça e lucrar com ele, você autoriza, rastreia e recebe.
Por que isso muda seu negócio — mesmo que você não seja banco
Se você lidera uma empresa que coleta, processa ou monetiza dados de clientes, a regra do jogo está mudando. Reguladores na Europa, nos EUA e no Brasil já discutem frameworks de data ownership e consentimento dinâmico. Quem se antecipa evita multas, ganha confiança e abre novas receitas.
O livro cita projeções de mercado que estimam trilhões de dólares em valor de dados pessoais até 2030. A fatia que caberá ao indivíduo ainda é incerta — mas a direção é clara.
O que observar daqui para frente
Três sinais práticos para monitorar nos próximos 12 meses: (1) lançamento de pilotos de “carteiras de dados” por grandes bancos ou fintechs; (2) decisões regulatórias sobre portabilidade e remuneração de dados no Brasil (LGPD 2.0) e na Europa (Data Act); (3) adoção de agentes de IA autônomos em tesouraria corporativa e wealth management.
Quem entender primeiro que o dado deixou de ser passivo para virar ativo financeiro — e construir a infraestrutura para isso — vai ditar as regras do Bank 5.0. Os demais apenas vão reagir.
