Tecnologia

IA consome chips mais rápido do que máquinas conseguem produzir até 2028…

Máquina de litografia EUV da ASML em sala limpa para produção de chips de IA avançados
Equipamento EUV da ASML: gargalo crítico para suprir demanda explosiva de chips de IA até 2028

A ASML, única fornecedora global de equipamentos de litografia extrema (EUV) para chips de ponta, confirmou o que o mercado temia: a explosão da inteligência artificial vai manter a demanda acima da capacidade de entrega pelo menos até 2028. Clientes como TSMC, Samsung e Intel já travam disputa por slots de produção que se estendem até 2030. As ações da holandesa acumulam alta de quase 70% em 2024.

O tamanho do buraco na agenda de entregas

O presidente-executivo Christophe Fouquet foi direto: há um “grande volume de pedidos para 2028” e interesse concreto para 2029 e 2030. A empresa planejava ampliar a capacidade em 30% no ano que vem e repetir a dose em 2028, mas admite que nem isso basta. A fila de espera, portanto, não deve andar tão cedo.

Essa pressão vem da corrida por data centers. Cada novo modelo de IA generativa exige ordens de magnitude mais poder de processamento, forçando fabricantes de chips a comprar todas as máquinas disponíveis — e reservar as que ainda nem existem.

Resultados que justificam o otimismo (e a ansiedade)

O balanço do terceiro trimestre reforça o cenário de aperto:

  • Lucro líquido: 4,96 bilhões de euros (R$ 27,9 bi)
  • Faturamento: 11,7 bilhões de euros (R$ 65,8 bi)
  • Margem bruta: ~57%

Para o quarto trimestre, a guidance aponta receita entre 14,2 e 15,2 bilhões de euros — acima do consenso. A projeção anual subiu para 44 a 45 bilhões de euros. O mercado reagiu com alta de 3% na abertura em Amsterdã, elevando o valor de mercado para 586 bilhões de euros.

Como a ASML tenta furar o bloqueio

A expansão física em Eindhoven começou no mês passado, mas a primeira fase só fica pronta em 2029. Enquanto o concreto seca, a estratégia passa por três frentes:

  • Atualização de ferramentas já instaladas nos clientes
  • Lançamento de novas versões com maior rendimento (throughput)
  • Reajuste de preços a partir de 2027, com efeito cheio em 2028

O CFO Roger Dassen resume: “juntas, essas medidas proporcionam um aumento significativo na capacidade de nossos clientes”. Tradução: mais chips por máquina, mas a um custo maior.

O que isso muda para a cadeia — e para o seu negócio

Três consequências práticas emergem do descompasso:

  • Preço do silício avançado vai subir. O repasse das máquinas mais caras bate na waffer e, no fim, no servidor.
  • Risco de concentração extrema. Um único gargalo (ASML) controla o ritmo de toda a revolução IA.
  • Planejamento de longo prazo vira obrigação. Quem não reservar capacidade hoje, paga prêmio ou fica de fora amanhã.

O que observar daqui para frente

O próximo gatilho está no cronograma de Eindhoven: qualquer atraso na obra empurra o alívio para além de 2029. Outro termômetro é a taxa de conversão dos “pedidos de intenção” para 2030 em contratos firmes — se a maioria virar pedido real, a escassez se estende por mais uma década. Para quem compra ou investe em infraestrutura de IA, a regra ficou clara: capacidade de computação é o novo petróleo, e o duto continua estreito.