O cantor sertanejo Paulo Victor de Morais Mendes, de 39 anos, investiu quase quatro anos e cerca de R$ 80 mil para fabricar um automóvel artesanal com o único objetivo de chamar a atenção para a carreira musical. O veículo já roda legalmente, emplacado como protótipo, mas a história por trás da construção guarda sacrifícios que vão muito além do valor financeiro.
Morador de Cerquilho (SP), Paulo vendeu o carro que possuía, cortou gastos supérfluos e viveu com o básico por mais de três anos para financiar cada etapa do projeto. A aposta era arriscada: em um mercado saturado, ele precisava de um diferencial que ninguém mais tivesse.
Como nasceu um carro de garagem sem ajuda profissional
A construção começou do zero, sem equipe especializada. Paulo aprendeu soldagem, modelagem em isopor e aplicação de fibra de vidro enquanto errava e refazia peças. A carroceria foi esculpida em blocos de isopor, preparada e depois revestida com fibra — processo que consumiu meses de tentativa e erro.
O conjunto mecânico mistura componentes de modelos comerciais: motor e câmbio de um Vectra 1998, faróis de BYD, retrovisores de Honda Civic e travas de porta de Volkswagen Gol. O resultado é um protótipo movido a gasolina, com linhas inspiradas em superesportivos, que o próprio artista classifica como 90% concluído.
- Motor e câmbio: Chevrolet Vectra 1998
- Faróis: BYD
- Retrovisores: Honda Civic
- Travas das portas: Volkswagen Gol
- Carroceria: fibra de vidro sobre molde de isopor
Críticas, despejo e a persistência que virou vitrine
Durante a construção, a pressão externa foi intensa. Vizinhos e conhecidos chamavam a iniciativa de loucura; a dona da kitnet onde Paulo morava chegou a ameaçar despejo. Mesmo assim, ele manteve o cronograma e passou a documentar cada fase nas redes sociais.
Os vídeos atraíram curiosidade orgânica, aumentaram o número de seguidores e transformaram o carro em ativo de marketing antes mesmo de ficar pronto. A visibilidade digital abriu portas para shows em eventos privados, casamentos e programações municipais — a renda principal do cantor hoje.
Próximos passos: conforto, logística e novos investidores
Paulo planeja trocar a suspensão para ganhar conforto ao rodar e construir um porta-malas capaz de transportar equipamento de som e violão até os locais de apresentação. O objetivo declarado é usar o veículo como peça central de conteúdos para internet, atrair empresários e valorizar o cachê dos shows.
Além da exposição, o artista aposta em composições autorais como “Acredite em Você”, cuja letra reflete a trajetória de superação. Ele já gravou projeto acústico em Portugal, financiado com cachê de uma apresentação no país europeu.
O que observar daqui para frente
A estratégia de transformar um ativo tangível — o carro — em ferramenta de branding pessoal é incomum no meio musical brasileiro. Se o modelo der certo, pode inspirar outros profissionais criativos a investirem em bens diferenciados como forma de quebrar a barreira da invisibilidade. O próximo indicador será a capacidade de converter a audiência gerada pelo veículo em contratos de longo prazo e crescimento sustentável de cachê.
