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O cheque de US$ 366 mi: como Musk virou o maior doador do ciclo eleitoral

Elon Musk em retrato oficial, simbolizando doação recorde de US$ 366 milhões ao Partido Republicano para eleições de 2026
Musk torna-se maior doador individual do ciclo eleitoral com aporte de US$ 366 milhões aos republicanos

Elon Musk injetou US$ 366 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) no Partido Republicano para as eleições de meio de mandato de 2026, tornando-se o maior financiador individual deste ciclo. O valor supera qualquer registro anterior e sinaliza uma guinada radical: em maio do ano passado, o empresário jurava que já havia “feito o suficiente” na política.

Dos US$ 366 milhões totais, US$ 276 milhões (R$ 1,3 bilhão) entraram apenas no terceiro trimestre, a partir de julho. A aceleração repentina levanta a pergunta central: o que mudou nos bastidores para transformar um cético em megadoador?

O mapa do dinheiro: para onde foi cada centavo

Dados da Reuters compilados a partir de registros oficiais mostram a engenharia financeira por trás da ofensiva. O foco não é difuso; ele mira o controle do Congresso com precisão cirúrgica.

  • US$ 158 milhões para o Fundo de Liderança do Senado (alinhado a John Thune, líder da maioria).
  • US$ 76 milhões para o America PAC, comitê de ação política do próprio Musk.
  • US$ 20 milhões para o Congressional Leadership Fund (base de Mike Johnson, presidente da Câmara).
  • US$ 10 milhões para o Lone Star Liberty PAC, bancando Ken Paxton na disputa pelo Senado no Texas.
  • US$ 10 milhões para a Associação de Governadores Republicanos.
  • US$ 2 milhões para a Associação de Procuradores-Gerais Republicanos.

O cheque para Paxton chama atenção: pesquisas recentes mostram empate técnico contra o democrata James Talarico. Uma vitória ali consolida a maioria conservadora no Senado.

Da porta de saída para o centro do poder

A cronologia revela a volatilidade da relação Musk-Trump. Após deixar o cargo no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) em meio a atritos, a reconciliação foi selada publicamente: Trump concedeu a Musk a Medalha Nacional de Ciência na semana passada. Dias depois, o empresário foi nomeado conselheiro de um estudo sobre o futuro da guerra.

Essa reaproximação coincide exatamente com a abertura da torneira financeira em julho. Analistas veem a doação maciça como moeda de troca para blindagem política.

O que está em jogo em 3 de novembro

As midterms de 2026 renovam toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Hoje, os republicanos controlam as duas Casas. Manter essa maioria é vital para o agenda legislativa de Trump — e para frear investigações que miram diretamente os negócios de Musk.

Democratas no Congresso pressionam por apurações sobre contratos bilionários da SpaceX com o governo e sobre a atuação de Musk à frente do DOGE. O fluxo de caixa para o Senate Leadership Fund e o Congressional Leadership Fund funciona, na prática, como um seguro para manter aliados no comando das comissões de fiscalização.

O que observar daqui para frente

Com fortuna estimada em mais de US$ 1 trilhão (Fortune), Musk tem munição para sustentar esse ritmo até novembro. O termômetro agora é o Texas: se Paxton vencer, a aposta de US$ 10 milhões rende um senador alinhado. Se a maioria republicana no Senado ampliar, o retorno sobre o investimento de US$ 158 milhões no fundo de Thune será total. Para o empresário, a conta não é filantropia — é gestão de risco regulatório em escala industrial.