Economia

MBRF Pet invade EUA: o segredo da exportação que mira o topo global

Embalagens premium de ração úmida MBRF Pet prontas para exportação aos EUA
MBRF Pet inicia exportação de rações úmidas premium para o maior mercado pet do mundo

A MBRF Pet acaba de cruzar a fronteira mais cobiçada do setor: começou a embarcar rações úmidas de alto valor agregado para os Estados Unidos. O movimento coloca a divisão de pets do grupo MBRF na prateleira do maior mercado consumidor do planeta, onde esse segmento responde por mais de 40% do faturamento mundial.

Mas a entrada não é apenas simbólica. A companhia, que já alimenta cães e gatos com mais de 3 bilhões de porções anuais no Brasil — terceiro maior mercado global, atrás apenas de EUA e China —, vê no exterior a alavanca para um novo patamar de receita.

O tamanho do passo: números que explicam a aposta

A operação de exportação cresceu 18% apenas neste ano. Atualmente, a marca está em 20 países, contra 15 há dois anos, e a meta é atingir 26 destinos até o fim de 2027. Para o mercado norte-americano, a logística já está desenhada com duas plantas habilitadas: uma em Bastos (SP) e outra em Doctor Juan León Mallorquín, no Paraguai, estratégica para a fronteira com Foz do Iguaçu (PR).

Essa estrutura permite uma vantagem competitiva clara:

  • Ração úmida sai do Brasil (maior valor por quilo);
  • Ração seca será exportada via Paraguai (otimização de custo e frete).

Por que o mercado dos EUA muda a equação

O diretor da MBRF Pet, Stanley Andrade, define a estratégia como “entrada gradual”. Não há meta de volume agressiva para o curto prazo; o foco é construção de marca e presença em gôndola. O raciocínio é simples: nos EUA, o ticket médio do “pet food” é significativamente superior ao praticado na América Latina, o que melhora a margem mesmo com volumes iniciais menores.

Enquanto isso, o mercado interno segue robusto. A projeção da Abinpet aponta faturamento de R$ 42,96 bilhões em 2026 para o setor no Brasil. As exportações totais do segmento somaram R$ 3,3 bilhões em 2025, alta de 12% sobre o ano anterior. Hoje, o externo já representa cerca de 20% da receita da unidade de pets, puxada por Chile, Paraguai e Uruguai.

A virada de chave: de ativo à venda para motor de crescimento

O cenário atual contrasta com o recente passado. A companhia chegou a estruturar a venda da divisão de rações, processo encerrado em 2023 sem acordo. A decisão de manter o ativo e crescer organicamente — sem aquisições no radar — sinaliza confiança na tese de internacionalização e valor agregado.

A integração vertical com o braço de proteínas da MBRF (uma das maiores processadoras de alimentos do mundo) é o diferencial duro de replicar. Gorduras e farinhas de frango e suínos, subprodutos da operação de carnes, abastecem a fábrica de ração, garantindo controle de custo e rastreabilidade — exigência crescente nos EUA.

O que observar daqui para frente

A combinação de planta no Paraguai para secos e no Brasil para úmidos cria uma engenharia logística rara entre concorrentes nacionais. Se a execução da “entrada gradual” nos EUA validar a margem esperada, a meta de liderança via internacionalização deixa de ser discurso para virar projeção numérica. O próximo gatilho a monitorar é a velocidade de habilitação de novas linhas nas duas unidades e a penetração no varejo especializado americano, canal onde a guerra de prateleira define o vencedor.