Justiça

TSE ordena remoção de vídeo viral: o que Janones e Lindbergh disseram sobre Flávio Bolsonaro

Ministro André Mendonça do TSE determina remoção de vídeo de Janones e Lindbergh contra Flávio Bolsonaro
TSE ordena exclusão de vídeo com acusações a Flávio Bolsonaro em até 3 horas sob multa diária de R$ 10 mil.

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou a remoção imediata de um vídeo publicado pelos deputados André Janones (Rede-MG) e Lindbergh Farias (PT-MG) que atribuía propostas específicas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). A decisão exige a exclusão do conteúdo em até três horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de republicação.

As acusações que motivaram a decisão

No material divulgado, os parlamentares listaram o que chamaram de “três bombas” do plano de governo do adversário. Entre as alegações estavam o aumento da idade de aposentadoria para 70 anos (homens) e 65 anos (mulheres), a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo e a implementação de jornada de trabalho de 12 horas em escala 7 por 0. O vídeo também afirmava que a Petrobras seria privatizada.

Para o ministro, nenhuma dessas propostas encontra respaldo concreto em documentos oficiais da campanha ou em declarações formais do candidato. A decisão destaca a diferença entre crítica política legítima e a atribuição de propostas inexistentes via propaganda eleitoral.

O peso do cenário e a viralização

Um detalhe chamou a atenção da Corte: a gravação ocorreu em frente ao Ministério da Fazenda. Embora o local não configure irregularidade por si só, Mendonça argumentou que, somado à linguagem utilizada, o cenário reforça perante o eleitor a impressão de que as informações possuíam “respaldo técnico ou institucional”.

O alcance da publicação impressiona e justifica a urgência da medida:

  • 6,8 milhões de visualizações;
  • 326 mil reações;
  • 40,1 mil comentários.

Na avaliação do TSE, esse volume representa potencial real de influenciar a formação do eleitorado às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Impacto direto nas plataformas digitais

A determinação não se limita aos perfis dos deputados. YouTube e Meta (dona do Facebook e Instagram) foram oficialmente comunicados para procederem com a remoção e, crucialmente, avaliarem se houve impulsionamento pago do vídeo.

O ministro foi além: exigiu que as plataformas preservem os registros de alcance, métricas de engajamento e eventuais dados de patrocínio. Esses dados subsidiarão a instrução processual e a análise posterior de eventuais sanções adicionais.

O que observar daqui para frente

O caso desenha um precedente importante para a reta final da campanha: a Justiça Eleitoral passa a monitorar com mais rigor não apenas o conteúdo da desinformação, mas o contexto visual e a arquitetura de viralização (impulsionamento pago vs. orgânico). Para estrategistas e investidores que acompanham o risco regulatório no ambiente digital, a exigência de preservação de métricas pelas big techs sinaliza que a conta do alcance virá depois — e pode ser alta.