Economia

iFood perto de comprar a Caju e virar gigante dos benefícios no Brasil

Logos do iFood e Caju lado a lado representando fusão no mercado de benefícios corporativos
iFood negocia compra da Caju para liderar benefícios corporativos no Brasil

O iFood está em negociações avançadas para adquirir a Caju e pode fechar o negócio ainda neste mês. A movimentação coloca a empresa de delivery a um passo de liderar o mercado de benefícios corporativos em até três anos. Mas a compra carrega um segredo regulatório que vai além da carteira de clientes.

Se confirmada, a transação funde duas bases que, somadas, ultrapassam três milhões de usuários ativos. O número deixa para trás a Flash, atual rival direta na disputa pela liderança do setor. A meta declarada do iFood é assumir a ponta até 2027.

O que muda no tabuleiro dos benefícios

Hoje, a vertical iFood Benefícios atende 65 mil empresas com 1,5 milhão de usuários. A Caju adiciona mais 70 mil clientes corporativos e 1,3 milhão de pessoas. Juntas, as duas passariam a deter fatia expressiva de um mercado que ainda tem Pluxee, Alelo, Ticket, Swile e Sólides como concorrentes de peso.

A startup fundada por Eduardo del Giglio em 2019 captou mais de R$ 150 milhões com Canary, Valor Capital e Caravela. Seu diferencial é um cartão Visa que unifica vale-refeição, vale-alimentação, transporte e farmácia com flexibilidade total de uso — algo que o iFood ainda busca escalar.

Por que a Alelo ficou para trás

Não é a primeira vez que o iFood tenta comprar porteira fechada no setor. No ano passado, a controlada da Prosus esteve perto de levar a Alelo por cerca de R$ 5,5 bilhões. As conversas travaram depois que o governo aprovou novas regras para o PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), desenhadas para abrir o mercado à competição.

As mudanças regulatórias afetam mais as incumbentes tradicionais. Com o valor da proposta reduzido, a Alelo recusou os termos atualizados. O iFood, então, mudou a mira para uma entrante nativa digital.

O entrave regulatório que ninguém comenta

Mais do que clientes, a aquisição pode resolver uma dor de cabeça jurídica de cinco anos. O Ministério do Trabalho tenta suspender a licença do iFood no PAT. Comprar a Caju — que já opera regularizada — funcionaria como atalho para blindar a operação de benefícios contra questionamentos administrativos.

Enquanto isso, a Flash Benefícios se uniu a Pluxee, Alelo e Ticket no Cade para contestar práticas de mercado. O cenário indica que a briga regulatória só vai escalar nos próximos trimestres.

  • iFood Benefícios hoje: 1,5 milhão de usuários | 65 mil empresas
  • Caju hoje: 1,3 milhão de usuários | 70 mil empresas
  • Combinado projetado: 3 milhões de usuários | 135 mil empresas
  • Meta declarada: liderança de mercado até 2027

O que observar daqui para frente

Ambas as empresas dizem que “não comentam rumores de mercado”. O iFood acrescenta apenas que “segue atento a oportunidades de gerar crescimento sustentável do seu ecossistema”. Se o acordo for assinado até o fim do mês, o próximo passo será a aprovação do Cade — onde a concentração de mercado será analisada com lupa.

Para quem atua em RH, fintechs ou gestão de benefícios, o sinal é claro: a consolidação do setor começou. Quem não tiver escala ou tecnologia própria para competir com a integração delivery + benefícios + pagamentos corre risco de ficar refém dos novos donos do jogo.