O Corinthians entra em campo contra o Internacional nesta quarta-feira com a marca da Jota no espaço mais valioso da camisa. O clube acertou patrocínio pontual de R$ 1 milhão para a partida no Beira-Rio, válida pela 29ª rodada do Brasileirão.
A mudança não foi por escolha estratégica, mas por imposição legal. A Medida Provisória que proíbe bets de operar no país a partir de 6 de outubro vetou a exposição da Esportes da Sorte, parceira máster até 2029.
O que a Jota ganha com 90 minutos de exposição
Startup de assistência financeira, a Jota usa inteligência artificial para conectar bancos, cartões, pagar boletos, fazer Pix e organizar despesas via app ou WhatsApp. O acordo prevê ainda a possibilidade de ocupar a barra frontal nos nove jogos restantes, o que elevaria o faturamento total a cerca de R$ 3 milhões.
A diretoria corintiana montou operação logística às pressas: os uniformes viajaram para Porto Alegre com o espaço máster em branco. A aplicação da marca ocorreu já no vestiário do Beira-Rio, horas antes do jogo.
Por que o STF não resolveu a tempo
O clube aguardava uma liminar do ministro Luiz Fux, relator da ação que contesta a MP, para manter a Esportes da Sorte na camisa. Sem decisão favorável até o início da rodada, a alternativa Jota foi fechada às vésperas da partida.
Antes mesmo do anúncio oficial da medida pelo governo, a casa de apostas já havia notificado o Corinthians sobre o risco de impedimento operacional. A quebra de contrato antecipada deixa um buraco de receita projetada para os próximos cinco anos.
O cenário para os dez jogos finais
Restam dez rodadas até o fim do Brasileirão. A estratégia da diretoria é fechar patrocínios pontuais jogo a jogo, repetindo o modelo usado contra o Internacional. Cada partida vira uma negociação isolada.
- Valor base por jogo: R$ 1 milhão (máster)
- Potencial adicional: barra frontal nas demais partidas
- Teto estimado: R$ 3 milhões no acumulado
Mas o efeito mais relevante aparece fora de campo. A instabilidade regulatória afasta investidores de longo prazo e força o clube a operar no varejo de patrocínio, sem previsibilidade de caixa.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão a saúde financeira do Corinthians no curto prazo: o desfecho da ação no STF sobre a MP das bets, a capacidade de atrair marcas não ligadas a apostas para contratos duradouros e o desempenho esportivo — que impacta diretamente a vitrine para anunciantes. Se a proibição se mantiver, o modelo de patrocínio por partida pode virar a nova norma, não a exceção.
