Tecnologia

Empresário transforma dor de cão perdido em app que já conecta milhares no Piauí

Tela do aplicativo SeePets no celular exibindo mapa interativo com alertas de cães perdidos e encontrados no Piauí
O app SeePets centraliza buscas por pets desaparecidos em um mapa colaborativo e notifica usuários próximos.

Wanderson Oliveira perdeu um cachorro de vista em 2016 e não conseguiu ajudar. Hoje, o aplicativo que nasceu dessa frustração estreia no Dia Mundial dos Animais com promessa de mudar como tutores buscam pets desaparecidos.

O SeePets chega ao mercado centralizando alertas de desaparecimento, achados e adoções em um único mapa interativo. A ideia: substituir a corrente caótica de grupos de WhatsApp e posts que somem no feed por um sistema que notifica usuários próximos ao local do incidente em tempo real.

De cartaz de recompensa a tecnologia de geolocalização

Tudo começou em uma avenida de Teresina. Wanderson, então estudante de Ciência da Computação, viu um cão aparentemente perdido. No dia seguinte, encontrou cartazes oferecendo recompensa pelo mesmo animal. A impotência virou ideia fixa: por que não existia um app que alertasse quem estivesse por perto?

Faltava conhecimento técnico e capital. A virada veio em abril de 2024, quando reuniu os amigos Samuel Pinheiro e Raphael Moraes para tirar o projeto do papel. Seis meses depois, a plataforma roda gratuita para tutores.

O que o app faz que grupos de WhatsApp não fazem

  • Mapa de ocorrências em tempo real com raio de busca ajustável
  • Geração automática de cartazes prontos para impressão
  • Perfis completos dos pets com histórico, fotos e vídeos
  • Notificação push para usuários nas proximidades do desaparecimento
  • Área exclusiva para adoção responsável com filtros por porte, idade e temperamento

A gratuidade para pessoas físicas é definitiva. A monetização virá de funcionalidades premium para clínicas, pet shops, hotéis e profissionais do setor — modelo freemium clássico, mas aplicado a um nicho que movimenta R$ 60 bilhões ao ano no Brasil.

Por que a centralização importa mais do que parece

Hoje, um tutor desesperado posta em três grupos de bairro, no Instagram, no Facebook e torce para alguém compartilhar. O alcance depende de algoritmo e boa vontade. No SeePets, a informação entra georreferenciada: quem está a 500 metros recebe o alerta na hora, mesmo que não siga o tutor nem participe de grupo nenhum.

Para ONGs e protetores independentes, a plataforma agrega um painel de gestão de adoções com formulários padronizados, checklist de pré-requisitos e histórico de contatos — tudo exportável para relatórios.

O que observar nos próximos 90 dias

A adoção inicial em Teresina e José de Freitas servirá de laboratório. Métricas-chave: taxa de reencontro em 48h, engajamento de usuários não-tutores (quem ajuda sem ter pet) e conversão de profissionais para planos pagos. Se o modelo provar escalável no Piauí, a expansão para capitais do Nordeste está no roadmap para o primeiro trimestre de 2025.

Para empresários do setor pet, o recado é claro: a base de tutores organizados e geolocalizados vale ouro. Quem integrar cedo — seja com anúncios segmentados, seja oferecendo benefícios exclusivos no app — larga na frente na fidelização de um público que gasta em média R$ 3,2 mil por ano com cada animal.