Economia

Fatal Model oferece R$ 120 mi ao Corinthians, mas admite: “Não competimos com bets”

Logo Fatal Model e escudo Corinthians com valores patrocínio 120 milhões reais
Fatal Model propõe R$ 120 mi ao Corinthians, mas CBO admite não competir com casas de apostas

A Fatal Model colocou R$ 120 milhões na mesa para assumir o patrocínio máster do Corinthians por um ano. A proposta existe, o diálogo está aberto, mas o próprio CBO da empresa, Samuel Ongaratto, reconhece: se as casas de apostas voltarem, a disputa vira jogo de cartas marcadas.

O valor oferecido ao clube paulista — e os R$ 100 milhões apresentados ao Flamengo — representam o teto do que a companhia consegue bancar hoje. Acima disso, entra o território das bets.

Por que a proposta tem validade de 12 meses

A escolha por um contrato curto não foi por acaso. Ongaratto explicou que o montante cabe no fluxo de caixa e no saldo da Fatal Model para um horizonte de um ano. Estender o vínculo exigiria musculatura financeira que a empresa ainda não possui.

Em números redondos: o contrato anterior com a Esportes da Sorte podia chegar a R$ 450 milhões no total. A diferença não é detalhe — é um abismo.

O que está em jogo além do espaço na camisa

A negociação esbarra no contrato vigente da Fatal Fans, braço do grupo que estampa o calção do time masculino e investe no feminino, basquete e futsal. Esse acordo traz restrições contratuais que precisam ser equacionadas antes de qualquer avanço pelo espaço nobre.

  • Máster (camisa): R$ 120 milhões / 1 ano — proposta em análise
  • Calção (Fatal Fans): contrato ativo com cláusulas de exclusividade
  • Outras modalidades: feminino, basquete e futsal já contemplados

O clube e a empresa mantêm conversas, mas não há prazo para definição. “Existem questões comerciais e contratuais a resolver”, resume Ongaratto.

A sombra da medida provisória

O cenário só se abriu porque uma medida provisória restringiu a atuação das bets no esporte. O texto vale por 120 dias. Se o Congresso não o converter em lei, as restrições caem e os contratos milionários com casas de apostas voltam a valer.

Perguntado sobre esse risco, o executivo foi direto: “Com o retorno das bets, é provável que elas voltem a ocupar a posição de máster, porque têm mais caixa para bancar propostas muito maiores”.

Traduzindo: a janela para empresas não ligadas a apostas é estreita e pode fechar a qualquer momento.

O que observar nas próximas semanas

Três variáveis vão ditar o desfecho: a tramitação da MP no Congresso, a disposição do Corinthians em aceitar um valor aquém do praticado recentemente e a capacidade da Fatal Model de equacionar as amarras do contrato atual da Fatal Fans.

Se a medida cair, a tendência natural é a recomposição do mercado nos patamares anteriores — o que, na prática, empurra players como a Fatal Model de volta ao calção. Para o empresário ou investidor que acompanha o setor, o sinal é claro: a liquidez das bets dita o preço do ativo. Enquanto a regulação não se estabilizar, qualquer patrocínio máster fora desse ecossistema carrega um risco de curto prazo embutido no contrato.