O Tribunal Superior do Trabalho determinou que a Caixa Econômica Federal mantenha 60% do quadro funcional em atividade durante a paralisação iniciada em 10 de setembro. A decisão, do ministro Maurício Godinho Delgado, estabelece multa diária de R$ 100 mil para sindicatos que descumprirem a ordem. O desfecho definitivo, porém, depende do julgamento do dissídio coletivo marcado para esta terça-feira (29).
Por que o percentual de 60% não é novidade
O relator enquadrou a atividade bancária como serviço essencial com base na Lei de Greve. A mesma proporção já havia sido fixada pelo TST em 2021, durante outra paralisação do banco público. O precedente pesou na liminar atual.
A Corte negou o pedido da Caixa para proibir piquetes e bloqueios nas agências, por não identificar indícios de excessos por parte dos grevistas. As regras do acordo coletivo anterior seguem valendo até a sentença final.
O impacto direto para quem depende do banco
Segundo a própria instituição, mais de 80% das agências estão fechadas. Serviços como pagamento de benefícios sociais, gestão do FGTS e compensação bancária estão entre os mais afetados. Clientes idosos ou com baixa familiaridade digital são os mais vulneráveis.
O aposentado João Alvarenga, 88 anos, ilustra o drama: tenta há cerca de um mês reverter uma portabilidade de benefício feita sem compreensão plena, mas encontra portas fechadas. Sem agência física do banco digital para onde o pagamento foi desviado, ele não consegue sacar quando viaja.
Canais alternativos que seguem funcionando
- Caixas eletrônicos e rede Banco24Horas
- Aplicativos: Caixa, Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, FGTS, DPVAT
- Site da Caixa e WhatsApp (0800-1040104)
- Lotéricas e correspondentes Caixa Aqui
- Alô Caixa: 4004-0104 (capitais) e 0800-1040104 (demais)
A leitura dos sindicatos e a estratégia até terça
Paulo Tonon, coordenador do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, afirma que a entidade não foi notificada formalmente. A orientação, por ora, é respaldar tanto quem quiser retornar quanto quem preferir manter a paralisação.
Para Tonon, a liminar obriga apenas o retorno de quem atua diretamente no atendimento a demandas sociais — não de áreas como logística. Ele acusa a Caixa de usar a decisão para tentar normalizar toda a operação, inclusive venda de produtos, e assim enfraquecer a greve antes do julgamento de mérito.
“Se a greve continuar forte, isso tem impacto inclusive na decisão do TST. Quanto mais gente parada, maior a influência popular”, declarou.
O que observar daqui para frente
O Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região, o maior da categoria, ainda não se posicionou. A Caixa, em nota, diz buscar “segurança jurídica e previsibilidade” via dissídio coletivo e promete cumprir integralmente as determinações judiciais.
O ponto crítico: a decisão de terça-feira definirá não apenas o percentual definitivo de trabalhadores em atividade, mas também reajustes, cláusulas sociais e a validade das reivindicações da categoria. Para empresas e cidadãos que dependem da rede Caixa — especialmente no pagamento de benefícios federais —, a terça-feira (29) é a data que deve estar no radar.
