Internacional

Último fim de semana antes do voto: o que cada presidenciável fez e disse nas ruas

Lula caminha na Zona Leste de São Paulo durante campanha eleitoral de 2022
Lula em agenda de campanha na Zona Leste de SP no último fim de semana antes do voto

Faltam sete dias para o primeiro turno e os candidatos usaram o sábado (26) e o domingo (27) para testar discurso, medir temperatura nas ruas e fixar bandeiras de última hora. A agenda oficial revela prioridades — e silêncios — que podem antecipar o tom da reta final.

O que moveu as ruas: bets, escala 6×1 e juros

Lula (PT) caminhou na Zona Leste de São Paulo no sábado e transformou a sanção da lei que proíbe bets em palanque. “Quem quiser ganhar dinheiro, que arrume um jeito honesto”, disse. Prometeu fiscalização dura contra casas clandestinas. No domingo, silêncio público — estratégia ou cansaço?

Romeu Zema (Novo) mirou o agronegócio em Minas: mais crédito, seguro-safra e juros baixos para “viabilizar produção”. Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) dividiram o sábado entre debates em podcasts (Kritikê, 3 Irmãos, My News) e atos de rua no domingo — ela em Florianópolis, ele na Paulista.

Direita: petróleo, maioridade penal e castração química

Flávio Bolsonaro (PL) cruzou três estados em 24h. No Rio, carreatas na Baixada e em Jacarepaguá. Em Aracaju, prometeu explorar petróleo “que Deus deu” para beneficiar sergipanos. Em Goiânia, novo comício à noite. No pacote: redução da maioridade penal, CNH para menores, castração química para estupradores e programas de empreendedorismo.

Ronaldo Caiado (PSD) foi à missa em Goiânia no domingo e rejeitou uso político da religião. Sobre bets: defende “restrição dura” à publicidade. Augusto Cury (Avante) caminhou no Pelourinho e na Feira Hippie de BH, pedindo extinção ou taxação pesada das apostas — citou economia e saúde mental.

Ausências e formato alternativo

Leonardo Avalanche (PRTB) não divulgou agenda. Clariana Barão (DC) só debateu no sábado; domingo vazio. Edmilson Costa (PCB) foi a bloco de carnaval em Curitiba e debate em Maringá sobre soberania. Wilson Grassi (Democrata) alternou entrevistas no SBT, podcasts e maratona em Salvador. Hertz Dias (PSTU) debateu no sábado e lançou livro em Brasília no domingo. Renan Santos (Missão) rodou Minas no sábado e foi a Salvador no domingo, pregando corte de impostos e custos do Estado.

O que observar na semana decisiva

  • Bets: três candidatos (Lula, Caiado, Cury) endureceram o tom — sinal de que o tema rende no eleitorado de baixa renda.
  • Economia real: Zema e Flávio Bolsonaro disputam o discurso de “produção e emprego”, mas com receitas opostas.
  • Segurança: pautas punitivistas (maioridade penal, castração) aparecem só num palanque — teste de aceitação nas pesquisas de última hora.
  • Presença física: quem foi a quantos estados? Flávio Bolsonaro (3), Zema (2 interior de MG), Lula (1 ato). Capilaridade ainda conta.

O rodízio alfabético da cobertura oficial continua. Daqui a uma semana, o eleitor decide se rua, podcast ou TV pesou mais. Acompanhe os próximos atos: eles ditam o que entra no debate de urna.