Faltam sete dias para o primeiro turno e os candidatos usaram o sábado (26) e o domingo (27) para testar discurso, medir temperatura nas ruas e fixar bandeiras de última hora. A agenda oficial revela prioridades — e silêncios — que podem antecipar o tom da reta final.
O que moveu as ruas: bets, escala 6×1 e juros
Lula (PT) caminhou na Zona Leste de São Paulo no sábado e transformou a sanção da lei que proíbe bets em palanque. “Quem quiser ganhar dinheiro, que arrume um jeito honesto”, disse. Prometeu fiscalização dura contra casas clandestinas. No domingo, silêncio público — estratégia ou cansaço?
Romeu Zema (Novo) mirou o agronegócio em Minas: mais crédito, seguro-safra e juros baixos para “viabilizar produção”. Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) dividiram o sábado entre debates em podcasts (Kritikê, 3 Irmãos, My News) e atos de rua no domingo — ela em Florianópolis, ele na Paulista.
Direita: petróleo, maioridade penal e castração química
Flávio Bolsonaro (PL) cruzou três estados em 24h. No Rio, carreatas na Baixada e em Jacarepaguá. Em Aracaju, prometeu explorar petróleo “que Deus deu” para beneficiar sergipanos. Em Goiânia, novo comício à noite. No pacote: redução da maioridade penal, CNH para menores, castração química para estupradores e programas de empreendedorismo.
Ronaldo Caiado (PSD) foi à missa em Goiânia no domingo e rejeitou uso político da religião. Sobre bets: defende “restrição dura” à publicidade. Augusto Cury (Avante) caminhou no Pelourinho e na Feira Hippie de BH, pedindo extinção ou taxação pesada das apostas — citou economia e saúde mental.
Ausências e formato alternativo
Leonardo Avalanche (PRTB) não divulgou agenda. Clariana Barão (DC) só debateu no sábado; domingo vazio. Edmilson Costa (PCB) foi a bloco de carnaval em Curitiba e debate em Maringá sobre soberania. Wilson Grassi (Democrata) alternou entrevistas no SBT, podcasts e maratona em Salvador. Hertz Dias (PSTU) debateu no sábado e lançou livro em Brasília no domingo. Renan Santos (Missão) rodou Minas no sábado e foi a Salvador no domingo, pregando corte de impostos e custos do Estado.
O que observar na semana decisiva
- Bets: três candidatos (Lula, Caiado, Cury) endureceram o tom — sinal de que o tema rende no eleitorado de baixa renda.
- Economia real: Zema e Flávio Bolsonaro disputam o discurso de “produção e emprego”, mas com receitas opostas.
- Segurança: pautas punitivistas (maioridade penal, castração) aparecem só num palanque — teste de aceitação nas pesquisas de última hora.
- Presença física: quem foi a quantos estados? Flávio Bolsonaro (3), Zema (2 interior de MG), Lula (1 ato). Capilaridade ainda conta.
O rodízio alfabético da cobertura oficial continua. Daqui a uma semana, o eleitor decide se rua, podcast ou TV pesou mais. Acompanhe os próximos atos: eles ditam o que entra no debate de urna.
