Faltam sete dias para o primeiro turno e os candidatos usaram o sábado (26) e o domingo (27) para consolidar bandeiras econômicas que mexem direto com o bolso do empresariado. A agenda de rua revelou prioridades claras: regulação de apostas, crédito ao agronegócio, carga tributária e exploração de petróleo. O que cada um defendeu — e o que isso sinaliza para os próximos meses.
O veto às bets virou pauta transversal
Lula (PT) transformou a proibição das bets, assinada na sexta (25), em palanque na Zona Leste de São Paulo. Disse que o governo vai fechar casas clandestinas e endurecer a fiscalização. Augusto Cury (Avante) foi além: defendeu extinção ou taxação pesada. Ronaldo Caiado (PSD) propôs restrição dura à publicidade do setor. Três dos principais nomes convergem para um endurecimento regulatório que afeta receitas de publicidade, patrocínios esportivos e arrecadação.
Para o mercado, o sinal é de risco regulatório imediato. Operadores de apostas e veículos dependentes dessa verba já precificam cenário de receita zero ou tributação superior a 30% sobre faturamento bruto.
Agro e juros: a equação de Zema
Romeu Zema (Novo) rodou o interior de Minas — Pouso Alegre e Varginha — com duas propostas concretas: mais crédito para o agronegócio e criação de seguro-safra. Vinculou ambas à queda de juros como condição para expandir a produção. O recado ao setor produtivo é direto: política monetária será variável de campanha.
Renan Santos (Missão), em Belo Horizonte e Divinópolis, ecoou a demanda por redução de impostos e custos estatais. A convergência entre candidatos de centro-direita em torno de desoneração e crédito barato desenha um eixo programático que o Congresso terá de endereçar em 2027.
Petróleo e pautas de costumes: a aposta de Flávio Bolsonaro
O candidato do PL fez carreata na Baixada Fluminense e em Jacarepaguá no sábado. No domingo, foi a Aracaju prometer investimento em exploração de petróleo no litoral sergipano: “essa riqueza é de vocês”. Em Goiânia, reforçou bandeiras de costumes — redução da maioridade penal, CNH para menores, castração química para estupradores — e programas de empreendedorismo.
A mistura de promessa de royalties petrolíferos com pautas penais duras mira eleitorado conservador e regiões dependentes de receitas de óleo e gás. Para investidores do setor, a sinalização é de manutenção de leilões e contratos de partilha.
O que mais apareceu no radar
- Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP) priorizaram debates em podcasts (Kritikê, 3 Irmãos, My News) e atos na Paulista e em Florianópolis — estratégia de nicho digital.
- Augusto Cury (Avante) caminhou no Pelourinho e na Feira Hippie de BH, focando em saúde mental e economia real.
- Edmilson Costa (PCB) foi a bloco de carnaval em Curitiba e debate sobre soberania em Maringá.
- Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) ficaram restritos a debates transmitidos e lançamento de livro, respectivamente.
- Leonardo Avalanche (PRTB) não divulgou agenda.
Cenários para a semana decisiva
O rodízio alfabético da cobertura oficial termina aqui. A partir de segunda (28), os holofotes migram para o último debate televisionado, pesquisas de intenção de voto e a judicialização de eventuais irregularidades de campanha. Três vetores merecem monitoramento:
- Desdobramento do decreto das bets — medida provisória ou projeto de lei no Congresso?
- Reação do Banco Central e do mercado à promessa de juros menores atrelada a crédito agrícola.
- Judicialização de promessas de exploração de petróleo em áreas sensíveis.
O empresário que acompanha só as manchetes perde o fio da meada. O que está em jogo não é apenas quem sobe a rampa em 2027, mas qual arcabouço regulatório e fiscal será negociado nos primeiros 100 dias. A agenda de fim de semana deu a largada. O que vem agora define o jogo.
