Justiça

Internet no celular não pode cair na véspera da eleição: AGU vai ao STF

Advogado da União entrega documento ao STF garantindo internet móvel nas eleições
AGU pede ao Supremo que operadoras mantenham internet ativa mesmo após franquia acabar na véspera da eleição

A Advocacia-Geral da União pediu ao Supremo Tribunal Federal que as operadoras mantenham o acesso à internet móvel ativo mesmo depois que a franquia de dados do usuário acabar. A regra valeria das 72 horas anteriores ao pleito deste domingo (4) até 24 horas após o encerramento da votação.

A medida atende a uma ação do Partido Verde e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. O objetivo declarado é garantir que nenhum eleitor fique isolado digitalmente no momento mais sensível do calendário democrático.

Por que a AGU considera isso essencial

Para o órgão, a conexão contínua funciona como “proteção material da cidadania”. Sem dados, o cidadão perde a capacidade de checar informações oficiais, confirmar se uma notícia é verdadeira, tirar dúvidas sobre o local de votação ou acessar os serviços da Justiça Eleitoral.

O argumento central: o direito à informação integra as condições necessárias para que o eleitor forme sua vontade de maneira autônoma. Se o sinal some justamente quando a desinformação mais circula, o prejuízo é direto ao processo democrático.

O que muda na prática para o usuário

Se o pedido for aceito, o mecanismo será automático. Não haverá necessidade de solicitar pacote extra nem de pagar pelo tráfego excedente durante a janela determinada. A conexão simplesmente não será cortada ao fim da franquia contratada.

  • Início: 72 horas antes da abertura das seções (quinta-feira, 1º)
  • Término: 24 horas após o fim da votação (segunda-feira, 5)
  • Escopo: dados móveis em smartphones e dispositivos com chip de operadora

O limite técnico imposto pela própria AGU

A manifestação faz uma ressalva importante: a obrigação deve ser compatibilizada com as condições reais das redes. Ou seja, se a manutenção universal do serviço provocar congestionamento ou degradação generalizada, a regra pode ser ajustada.

Essa cautela evita que a rede caia para todos justamente por tentar não cair para ninguém. Operadoras já alertaram em outras ocasiões que picos de tráfego não previstos podem derrubar antenas inteiras.

Plano B: acesso mínimo garantido

Caso o Supremo entenda que a gratuidade total é inviável, a AGU apresentou pedido subsidiário. Nele, solicita que, no mínimo, permaneçam acessíveis sem custo:

  • Portais da Justiça Eleitoral (TSE e TREs)
  • Sites de órgãos públicos federais, estaduais e municipais
  • Agências de checagem parceiras do TSE

Essa lista restrita já permitiria ao eleitor verificar seu local de votação, consultar a biografia dos candidatos e confirmar se um conteúdo viral é falso — tudo sem gastar a franquia.

O que observar nos próximos dias

A decisão do ministro relator deve sair antes da abertura da janela de 72 horas. Se concedida a liminar, as teles terão poucas horas para configurar os sistemas de billing e tráfego. Acompanhe os canais oficiais do TSE e da AGU: qualquer alteração no escopo ou no cronograma será comunicada por lá primeiro.

Para quem atua em comunicação política, marketing digital ou gestão de crise, o período exige monitoramento redobrado. A estabilidade da rede — e a forma como a gratuidade será implementada — pode definir o alcance das últimas mensagens de campanha e a velocidade de resposta a eventuais fake news na reta final.