Tecnologia

IA nas rodovias: multa por celular e cinto começa em outubro sem parar o trânsito

Sistema de fiscalização por IA com câmeras na Rodovia Washington Luís monitorando veículos em movimento
Nova fiscalização por inteligência artificial flagra uso de celular e ausência de cinto sem parar o trânsito

A fiscalização por inteligência artificial estreia em 1º de outubro no km 438 da Rodovia Washington Luís, em São José do Rio Preto, flagrando infrações com o veículo em movimento. O sistema não exige abordagem nem radar convencional: câmeras leem o interior do carro e encaminham suspeitas direto para a Polícia Militar Rodoviária. Quem dirige usando o celular ou sem cinto de segurança passa a ser autuado sem perceber a presença do equipamento.

Como funciona a fiscalização invisível

Diferente dos radares fixos, as câmeras com IA capturam imagens em alta resolução e processam padrões de comportamento em milissegundos. O software identifica se o condutor segura o telefone, digita ou fala ao aparelho, além de verificar se o cinto está afivelado corretamente. Tudo ocorre enquanto o carro trafega em velocidade de pista.

As imagens suspeitas seguem para análise humana na central da PMRv. Só após validação do agente a multa é emitida — a concessionária Ecovias Noroeste Paulista cuida apenas da infraestrutura e manutenção dos equipamentos, sem poder de autuação.

O que muda para quem roda pela Washington Luís

  • Local: km 438, sentidos norte e sul, São José do Rio Preto (SP)
  • Início: 1º de outubro de 2024
  • Infrações monitoradas: uso de celular ao volante e ausência de cinto de segurança
  • Órgão autuador: Polícia Militar Rodoviária
  • Responsável pela tecnologia: Ecovias Noroeste Paulista

A concessionária informa que a instalação já está em fase final de testes. Placas de sinalização avisarão sobre a fiscalização eletrônica, cumprindo exigência do Contran.

Tendência que avança pelo país

São Paulo lidera a adoção: trechos das rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Castello Branco já operam com tecnologia similar desde 2023. A Polícia Rodoviária Federal iniciou projetos-piloto em trechos da BR-116 e BR-101, com resultados preliminares mostrando redução de 37% no uso de celular nas áreas cobertas.

Mas o efeito mais relevante aparece na mudança de hábito. Estudos da USP mostram que a percepção de fiscalização contínua — mesmo sem viaturas visíveis — derruba comportamentos de risco em até 60% nos primeiros seis meses.

Pontos de atenção para frotas e motoristas profissionais

Transportadoras que operam na região devem atualizar treinamentos. A infração por celular ao volante rende 7 pontos na CNH e multa de R$ 293,47 (gravíssima, multiplicada por 3). Falta de cinto soma 5 pontos e R$ 195,23. Ambas são autossuspensivas em caso de reincidência em 12 meses.

Gestores de frota relatam que sistemas de telemetria integrados à câmera de fadiga já alertam o condutor em tempo real, evitando a autuação antes que ela ocorra. A tecnologia, antes vista como ameaça, vira aliada de compliance.

O que observar daqui pra frente

A expansão para outros trechos da malha concedida paulista deve ser anunciada até o fim do ano. A PRF avalia estender o modelo a 12 corredores federais em 2025. Para o motorista, a regra prática é simples: o celular fica no suporte ou no porta-luvas; o cinto, sempre afivelado — mesmo no banco traseiro. A câmera não pisca, não para e não negocia.