O governo federal lançou nesta sexta-feira (25) a terceira fase do Desenrola, mirando dívidas esquecidas há até quatro anos e meio. A meta é renegociar metade do estoque elegível, com deságio médio de 90%.
O anúncio ocorreu no Edifício Matarazzo, em São Paulo, poucos dias antes do calendário eleitoral aquecer. A medida chega junto ao veto às apostas esportivas, sinalizando uma ofensiva dupla sobre o orçamento das famílias.
Quem entra no radar desta vez
Diferente das edições anteriores, o foco agora são débitos com 2 a 4,5 anos de atraso. São contas que saíram do radar dos birôs de crédito, mas continuam travando o CPF do consumidor.
Estima-se que o universo potencial some cerca de R$ 150 milhões em valor de face. O governo projeta adquirir essa carteira por algo em torno de R$ 15 bilhões — um desconto agressivo que viabiliza a operação.
O impacto direto no bolso
Para o devedor, a tradução prática é simples: a dívida cai drasticamente e o nome limpa na hora. Bancos e varejistas recebem um valor residual, mas encerram o passivo.
- Público-alvo: pessoas físicas com dívidas negativadas há 2 a 4,5 anos
- Desconto médio: 90% sobre o valor original
- Meta de adesão: 50% das dívidas elegíveis
- Efeito imediato: limpeza do CPF nos birôs de crédito
Mas o efeito mais relevante aparece no crédito futuro. Com o nome limpo, o consumidor volta a acessar financiamento imobiliário, cartão e consignado.
Por que o timing importa
O lançamento coincide com o veto integral ao projeto que regulamentava as bets no Brasil. A leitura de mercado: o governo tenta conter dois vetores de endividamento simultâneos — o passivo antigo e o novo fluxo de apostas.
Analistas veem na combinação um movimento para reduzir a inadimplência antes que o ciclo de juros altos estrangule de vez a renda das classes C e D.
O que observar daqui para frente
A adesão dos credores será o termômetro real. Se bancos e varejo toparem o deságio de 90%, o programa desbloqueia crédito para milhões. Caso contrário, vira mais um anúncio sem execução.
Fique atento ao calendário de leilões da Secretaria de Reformas Econômicas. A primeira rodada deve ocorrer ainda no primeiro trimestre. Quem tem dívida nesse perfil deve monitorar os canais oficiais — a renegociação não é automática.
