Uma nova pesquisa Quaest revela um cenário de empate técnico quádruplo pela sucessão no Senado por Roraima. Com duas cadeiras em jogo em 2026, a margem que separa o primeiro do quarto colocado é de apenas oito pontos percentuais.
O levantamento, realizado entre 21 e 24 de setembro com 804 eleitores, mostra que a definição das vagas deve depender da capacidade de transferência de votos entre os principais grupos políticos do estado. A margem de erro é de três pontos.
O xadrez das duas vagas: como estão os números
Na contagem total de menções — que soma as intenções para a primeira e a segunda vaga —, Teresa Surita (MDB) aparece na frente com 22%, subindo três pontos em relação a agosto. O deputado Nicoletti (PL) tem 19%, seguido por Helena da Asatur (PSD) com 17% e o atual senador Chico Rodrigues (PSB) com 14%.
A dinâmica muda quando se olha para as vagas separadamente. Na preferência para a primeira vaga, Surita abre vantagem numérica (29% contra 24% de Nicoletti). Já na segunda vaga, o cenário inverte: Chico Rodrigues lidera com 16%, tecnicamente empatado com a própria Surita (15%), Nicoletti (14%) e Helena (14%).
- Teresa Surita (MDB): 22% total (29% na 1ª vaga / 15% na 2ª)
- Nicoletti (PL): 19% total (24% na 1ª vaga / 14% na 2ª)
- Helena da Asatur (PSD): 17% total (19% na 1ª vaga / 14% na 2ª)
- Chico Rodrigues (PSB): 14% total (13% na 1ª vaga / 16% na 2ª)
Os demais candidatos somam, juntos, menos de 15% das intenções totais. Regina Tio Ivo (Novo) e Pastor Isamar (União) aparecem com 3% cada.
O eleitor indeciso e a força da memória
Apesar de a pesquisa estimulada mostrar apenas 10% de indecisos no total, o cenário espontâneo — onde os nomes não são apresentados — expõe a fragilidade da memorização: 44% não souberam citar nenhum candidato. Em agosto, esse índice era de 67%.
Na espontânea, Surita, Nicoletti e Helena aparecem empatadas com 12% cada, enquanto Chico Rodrigues tem 10%. O dado sinaliza que a disputa real ainda está no campo da construção de lembrança de marca, não apenas na consolidação de preferências.
Rejeição: o obstáculo invisível para Chico Rodrigues
Se a intenção de voto coloca Chico Rodrigues no bolo de frente, o índice de rejeição acende um alerta vermelho. 44% dos eleitores afirmam conhecê-lo e não votariam nele de jeito nenhum — o maior patamar entre todos os nomes testados.
Para comparação, Teresa Surita tem 35% de “conhece e não votaria”, Nicoletti 34% e Helena 32%. O Pastor Isamar (União) também tem alta resistência: 40% de rejeição, embora com menor conhecimento geral (46% não o conhecem).
Esse teto de rejeição pode explicar por que o senador aparece melhor posicionado na segunda vaga (voto de “complemento”) do que na primeira (voto de “preferência principal”).
Fidelidade do voto e o calendário até outubro
Outro dado estratégico: 76% dos entrevistados dizem que a escolha é definitiva. Apenas 24% admitem possibilidade de mudança até o dia 4 de outubro de 2026.
Isso reduz o espaço para viradas bruscas de última hora e valoriza a consistência das campanhas de chão e a manutenção das alianças atuais. A pesquisa está registrada no TSE sob os números RR-03658/2026 e BR-07149/2026.
O que observar nos próximos meses
A chave da eleição roraimense para o Senado passa pela taxa de comparecimento e pela coordenação do “voto casado”. Como cada eleitor vota em dois nomes distintos, a capacidade de Surita, Nicoletti e Helena de orientarem seus eleitores a preencher a segunda vaga com aliados — ou de Chico Rodrigues captar o voto complementar de quem vota nos adversários na primeira vaga — ditará a composição final da bancada.
Monitore a evolução da pesquisa espontânea: a redução dos indecisos de 67% para 44% em um mês indica que a campanha já começou na prática, mesmo sem horário eleitoral oficial. Quem consolidar o recall primeiro tende a travar as duas vagas.
