Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (24) coloca Eduardo Braga (MDB) na frente da disputa pelas duas vagas do Amazonas no Senado com 27% das intenções totais, mas revela um cenário volátil: 65% dos eleitores não citam nenhum nome espontaneamente e a rejeição aos líderes beira os dois dígitos. O levantamento, encomendado pela Rede Amazônica, ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro com margem de erro de três pontos percentuais.
O xadrez das duas vagas: quem sobe e quem estagna
Como cada eleitor vota em dois nomes distintos, a Quaest soma as menções para a primeira e a segunda escolha. Braga oscilou de 25% para 27% desde agosto. Capitão Alberto Neto (PL) foi de 16% para 17%, Plínio Valério (PSDB) subiu de 13% para 14% e Wilson Lima (União Brasil) variou de 12% para 13%. A soma dos nanicos e brancos/nulos caiu, enquanto indecisos recuaram de 17% para 16%.
O detalhe estratégico aparece ao separar as vagas:
- Primeira vaga: Braga abre 40%, contra 22% de Alberto Neto e 13% de Wilson Lima.
- Segunda vaga: Plínio Valério lidera com 20%, seguido por Braga (14%) e Wilson Lima (14%).
Isso sugere que Braga é a “primeira opção” consolidada, enquanto a briga real pela cadeira restante concentra-se entre Valério, o governador Wilson Lima e o deputado Alberto Neto.
Rejeição: o obstáculo invisível para os favoritos
O maior risco para os ponteiros não está nos concorrentes, mas no eleitorado que já decidiu não votar neles. Wilson Lima lidera a rejeição com 62% de “conhece e não votaria”, seguido por Braga com 36%. Alberto Neto e Plínio Valério aparecem colados, com 34% e 31% respectivamente.
Para investidores e analistas de risco político, esses números indicam teto de crescimento baixo. Um candidato com 36% de rejeição precisa converter quase a totalidade dos indecisos (16%) e dos que votam no outro (segunda vaga) para ampliar a votação — tarefa difícil em campanha curta.
O vazio da espontânea e a fidelidade do voto
Na pesquisa espontânea, onde nomes não são apresentados, 65% não souberam responder. Braga aparece com 13%, Valério e Alberto Neto com 7% cada. O dado mostra que a eleição ainda não “pegou” na rua; a visibilidade depende de estrutura de campanha e tempo de TV.
Por outro lado, 70% dos entrevistados dizem que a escolha é definitiva. Apenas 30% admitem chance de mudança até 4 de outubro. Isso reduz o espaço para viradas bruscas, mas amplia a importância dos debates e do horário eleitoral para mover os indecisos restantes.
Cenários para monitorar até outubro
A dinâmica da “segunda vaga” é o termômetro mais sensível. Se Wilson Lima conseguir transferir a máquina estadual para reduzir a própria rejeição, ele rouba votos de Valério e Alberto Neto. Se Valério consolidar os 20% da segunda preferência e avançar na primeira, torna-se favorito natural à segunda cadeira.
Outro ponto: a queda de brancos/nulos (12% para 9%) e indecisos (17% para 16%) indica que o eleitorado começa a definir lados. Para quem acompanha o mapa político amazonense, o próximo levantamento — previsto para depois do horário eleitoral — dirá se a polarização nacional (MDB vs PL) dita o ritmo local ou se as máquinas regionais prevalecem.
O que observar daqui para frente: a capacidade de Braga de manter os 40% na primeira vaga sem sangrar para a segunda; a evolução da rejeição de Wilson Lima nas regiões metropolitanas; e se Plínio Valério consegue transformar a liderança na “segunda escolha” em intenção de voto principal. O jogo está aberto, mas as fichas já estão na mesa.
